América Latina

Bolívia procura limpar sua imagem no exterior

Morales tenta recompor relações com os EUA em busca de apoio no litígio com o Chile

Morales e Obama cumprimentam-se na presença de Bachelet em 2009.
Morales e Obama cumprimentam-se na presença de Bachelet em 2009.corbis

Em seu segundo mandato, o presidente da Bolívia, Evo Morales, precisou fazer malabarismos para conciliar sua retórica anticapitalista e aproximar-se do empresariado local. Agora, às vésperas do próximo mandato, que começa no início do ano, o pragmatismo leva-o a tentar recompor as relações com seu pior inimigo. Morales não deixou de aproveitar a cúpula da ALBA, celebrada no domingo em Havana, para arremeter contra os Estados Unidos. Enquanto isso, a diplomacia boliviana tenta construir pontes com Washington para, sobretudo, melhorar a imagem do país com vistas à demanda contra o Chile apresentada na Corte Internacional de Haia reivindicando uma saída para o mar.

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O chanceler David Choquehuanca afirmou na quinta-feira que a Bolívia propôs aos Estados Unidos uma reunião entre os presidentes Morales e Barack Obama para recompor as relações bilaterais, rompidas desde a expulsão, em setembro de 2008, do embaixador de Washington em La Paz, Philip Goldberg, acusado de ingerência em assuntos internos. Os Estados Unidos responderam retirando o embaixador boliviano.

O secretário de negócios dos Estados Unidos em La Paz, Peter Brennan, foi o contato com a diplomacia de Morales. “Tivemos várias reuniões, na última sugerimos aos Estados Unidos organizar uma reunião no mais alto nível, propusemos um encontro entre o presidente Morales e o presidente Obama; com muito respeito”, afirmou Choquehuanca. Pouco depois da divulgação das declarações do chanceler, o presidente da Câmara de Deputados, Marcelo Elío, afirmou que “muito provavelmente será possível recolocar os embaixadores”.

“Alegra-nos o fato de o Governo da Bolívia querer melhorar as relações com os Estados Unidos. Temos de trabalhar as condições, estou aqui para tentar estabelecer uma relação de confiança”, respondeu o diplomata americano, de acordo com a imprensa local. Além disso, o Governo boliviano tem como certo que, quando a presidenta brasileira Dilma Rousseff tomar posse nos segundo mandato, voltará a enviar um embaixador a La Paz, de onde o retirou em 2013.

Tanto políticos do Executivo, como do seu partido, o Movmento ao Socialismo (MAS), têm insistido com Morales na necessidade de transmitir uma imagem de país sério e solvente, sobretudo para enfrentar o maior desafio da política externa boliviana: o litígio com o Chile por uma saída para o mar. Desde a abertura do processo em Haia, em abril de 2013, La Paz viu a presidenta Bachelet reunir-se com Obama —“é minha segunda Michelle favorita”, chegou a dizer-lhe em junho— e o chanceler Heraldo Muñoz com o secretário de Estado, John Kerry.

“Uma relação fluida com os Estados Unidos é imprescindível”, diz o ex-presidente Carlos D. Mesa (2003-2005), representante internacional da Bolívia na causa marítima. Em entrevista a este jornal na sexta-feira passada, Mesa apontou que a demanda “não é um problema de fronteiras, mas sim que o Chile está dizendo ao mundo que a Bolívia quer bagunçar o tabuleiro. E não é assim. O que queremos é que a Corte Internacional obrigue o Chile a sentar-se para negociar”. Se conseguisse a desejada saída para mar, a Bolívia ganharia, nas palavras de Mesa, “um crescimento importante do PIB, uma liberdade absoluta para estabelecer uma estratégia de importações e exportações e, o mais importante, uma presença plena na bacia do Pacífico, que é imprescindível. O futuro da economia mundial está aí”.

Além de Mesa, participou na demanda o também ex-presidente Eduardo Rodriguez Veltzé (2005-2006). Ambos críticos da gestão de Morales durante certo tempo, Mesa recorda que aceitou o encargo ao ver que no projeto de reivindicação à Corte havia “uma visão de Estado incomum, não no presidente Morales, mas na política boliviana em geral”.

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