Sequestro em café na Austrália deixa ao menos três mortos e quatro feridos

Sequestrador, um refugiado iraniano com antecedentes criminais, está entre os mortos

A polícia invadiu na tarde desta segunda-feira o café no centro de Sydney, onde um homem armado mantinha reféns e exibia uma bandeira islâmica. "O sequestro em Sydney terminou", publicou a polícia de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney, em sua conta do Twitter. O cerco durou mais de 16 horas.

Segundo as autoridades australianas, três morreram na ação, incluindo o sequestrador, identificado como Man Monis, de origem iraniana. Os demais mortos são uma mulher de 38 anos e um homem de 34 anos. Há ao menos quatro feridos.

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Uma série de explosões foram ouvidas no momento em que as forças especiais de segurança entravam pela porta lateral do estabelecimento. Ao menos seis reféns saíram correndo em meio à confusão, enquanto outros foram levados em macas e atendidos por equipes médicas, segundo a agência France Presse. 

Man Monis entrou armado no local por volta das 9h30 desta segunda-feira (20h30 do domingo em Brasília) e obrigou os reféns a segurarem uma bandeira junto ao balcão do estabelecimento. A bandeira negra com letras brancas diz, em árabe: “Não há um Deus maior que Alá, e Maomé é seu profeta”. A Austrália é dos países no primeiro escalão da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos contra o avanço dos extremistas sunitas do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Reprodução de TV australiana mostra o homem que a polícia aponta como um dos suspeitos.
Reprodução de TV australiana mostra o homem que a polícia aponta como um dos suspeitos. (AP)

As autoridades ainda não sabem se ele integra algum grupo terrorista ou se agiu sozinho. Organizações islâmicas australianas divulgaram nota condenando a ação de Monis, e dizendo tratar-se de um "ato deplorável".

Moris, de 50 anos, foi condenado em 2012 por enviar cartas ameaçadoras e ofensivas contra familiares de oito soldados australianos mortos no Afeganistão, em protesto ao papel da Austrália no conflito (o país é aliado dos Estados Unidos na luta contra o terrorismo islâmico), segundo os meios locais que citam a Reuters. Monis tem antecedentes, além disso, de agressões sexuais, segundo fontes policiais. O jornal Sydney Morning Herald acrescenta que ele foi acusado em 2013 de ser cúmplice do assassinato de sua ex-mulher.

Uma brasileira estaria dentro do café. A família de Márcia Mikhael, natural de Goiás, disse à Globonews que ela mandou uma mensagem para a irmã contando que estava entre os reféns. No perfil do Facebook, Márcia também publicou mensagens com as reivindicações do sequestrador, segundo os familiares. Entre as demandas, o homem pede uma bandeira do Estado Islâmico e também quer se comunicar com o primeiro-ministro da Austrália, Tony Aboott.

De acordo com o Correio Braziliense, um primo da brasileira contou que ela também mandou um SMS ao marido, por volta das 11h40 desta segunda-feira (1h40 em Brasília). "Socorro. Eu não quero morrer", escreveu. O Itamaraty acompanha a situação, mas afirmou que a polícia australiana ainda não confirmou a nacionalidade de nenhum dos reféns. Amigos de Márcia fizeram uma comunidade no Facebook pedindo orações.

Nas últimas horas desta segunda-feira, pelo menos três emissoras de rádio e TV australianas receberam ligações dos reféns mantidos no café. Segundo eles, o sequestrador teria exigido falar com o primeiro-ministro do país, Tony Abbott, e pediu que lhe trouxessem uma bandeira, que depois os reféns exibiram na janela do estabelecimento. A porta-voz da polícia disse à imprensa que não pode confirmar se essas informações são genuínas.

Em um comunicado divulgado pela TV, Abbott afirmou: “Este é um incidente muito doloroso. É profundamente espantoso que pessoas inocentes estejam sendo mantidas por um homem armado que expressa motivações políticas”.

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