Obama e Peña Nieto falam sobre os estudantes desaparecidos de Iguala

Presidentes discutem o assunto durante conversa telefônica em relação à imigração

Enrique Peña Nieto e Barack Obama em um encontro no ano passado.
Enrique Peña Nieto e Barack Obama em um encontro no ano passado. (EFE)

O motivo da conversa telefônica entre Barack Obama e Enrique Peña Nieto, na quarta-feira, foi discutir as ações executivas que o presidente norte-americano acaba de decretar para regularizar temporariamente a situação de quase cinco milhões de imigrantes não documentados, muitos deles mexicanos. Mas, segundo fontes norte-americanas, também foi tratado um tema sobre o qual a Casa Branca vinha guardando silêncio notável até agora: o desaparecimento de 43 estudantes de magistério em Iguala (México) há dois meses.

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Obama “manifestou suas condolências profundas aos familiares e amigos das vítimas”, disse ao EL PAÍS uma fonte oficial, sob condição de anonimato. Os dois presidentes discutiram “a necessidade de continuar trabalhando para dar resposta a questões que afetam a segurança” dos cidadãos dos dois países, acrescentou a fonte.

Para o Governo norte-americano, esse “crime atroz e bárbaro” precisa ser investigado de forma “exaustiva e transparente”, para que os responsáveis por ele sejam levados à justiça sem demora “para ser castigados”.

É praticamente a mesma coisa que foi dita pelo Departamento de Estado no início de outubro quando se referiu a Iguala, mas, se Obama de fato mencionou o assunto, terá sido a primeira vez, pelo menos oficialmente, que os dois presidentes tratam diretamente de um caso que pôs em xeque o Governo de Peña Nieto. Até agora a Casa Branca qualificou como “preocupante” as informações sobre o caso de Iguala, mas tinha evitado abordar o assunto diretamente.

A conversa entre Obama e Peña Nieto aconteceu no mesmo dia em que foi divulgada uma carta que 14 senadores dos EUA, republicanos e democratas, enviaram ao secretário de Estado, John Kerry, para manifestar sua “preocupação profunda” com o caso de Iguala e a situação “endêmica” que ele reflete. “Receamos que a situação em Guerrero seja sintomática de um problema mais amplo que vem sendo endêmico no México nos últimos anos”, escreveram os senadores, encabeçados pelo democrata Bob Menéndez. Os legisladores pedem que Kerry ofereça toda a ajuda possível ao México, tanto “forense como investigativa”, para ajudar a localizar os estudantes desaparecidos.

“Num momento em que o presidente Peña Nieto vem fazendo grandes esforços para reformar os setores econômico e energético do México, é imperativo que as atenções também se voltem ao reforço da capacidade investigativa e forense dos organismos policiais mexicanos, assim como sua capacidade de atender às vítimas da criminalidade, da violência e das violações dos direitos humanos”, escrevem os senadores. “É crucial que os EUA ajudem nesses esforços para garantir que seja feita a justiça aos 43 jovens estudantes e às dezenas de milhares de mexicanos que já desapareceram.”

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