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O Papa e os abusos de Granada: “A verdade não pode ser escondida”

Jorge Mario Bergoglio conta como incentivou o início da investigação sobre os padres

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz (e), acompanha o Papa Francisco em sua chegada ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz (e), acompanha o Papa Francisco em sua chegada ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo. EFE

Embora não estivesse previsto falar de assuntos diferentes daqueles da viagem a Estrasburgo, o Papa Francisco aceitou –durante o voo de volta a Roma– uma pergunta sobre a investigação que acontece em Granada em relação a vários sacerdotes acusados de abusos sexuais. Jorge Mario Bergoglio confirmou que foi ele mesmo quem, depois de receber a carta de um jovem de 24 anos em que relatava ter sido objeto de abusos continuados quando era menor de idade, pôs a investigação em andamento.

“Recebi a carta”, explicou a Papa, “eu a li, chamei a pessoa e lhe disse: amanhã vá ver o bispo. Escrevi ao bispo para que começasse o trabalho, para que fizesse a investigação e fosse adiante”. Bergoglio, que logo depois de ter sido eleito Papa apoiou com beligerância a decisão de Benedito XVI de pôr fim a certa condescendência da Igreja em relação à pedofilia, admitiu que o problema de Granada lhe está causando um profundo sofrimento: “Como estou vivendo isso? Com muita dor, com enorme dor. Mas a verdade é a verdade e não devemos escondê-la”.

Nesta terça-feira, o caso avançou com a apresentação de uma nova denúncia por parte de uma testemunha dos supostos abusos sexuais contra menores. A denúncia foi apresentada na tarde de segunda-feira no juizado de guarda. O tribunal instrutor decidirá se a investigação das novas considerações incluídas nesta denúncia será incorporada à causa.

Enquanto isso, os quatro presos –três padres e um leigo– permanecem na Chefatura Superior de Polícia da Andaluzia Oriental, onde passaram a noite, esperando serem colocados à disposição da Justiça.

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