Queda do desemprego nos EUA atenua ‘castigo’ das urnas a Obama

Taxa de desocupação caiu para 5,8% em outubro, quando 214.000 vagas foram criadas

Barack Obama ao analisar o resultado eleitoral.
Barack Obama ao analisar o resultado eleitoral.A.H. (Bloomberg)

O mercado de trabalho nos Estados Unidos abriu 214.00 novos empregos no mês de outubro, uma cifra inferior à estimativa de Wall Street e às 256.000 vagas de setembro, mas em linhas gerais trata-se de um indicador ainda positivo, confirmando que a geração de postos de trabalho nos EUA avançou nos últimos nove meses no melhor ritmo em duas décadas. A taxa de desemprego, enquanto isso, baixou um décimo de ponto percentual e ficou em 5,8%. O dado sai apenas três dias depois de o eleitorado impor um sério revés ao presidente Barack Obama e aos seus candidatos nas eleições legislativas e para os governos estaduais.

Levando-se em conta as revisões de setembro e agosto, a maior potência mundial gerou neste ano uma média de quase 230.000 postos de trabalho por mês. O setor privado já soma 56 meses consecutivos de ampliação de vagas. O desemprego está no seu nível mais baixo desde julho de 2008, e essa queda se deve principalmente a pessoas que estão voltando ao mercado de trabalho. O volume da população economicamente ativa subiu um décimo, chegando a 62,8%, embora continue no mesmo nível de três décadas atrás. “Estamos vendo progressos, embora ainda haja trabalho por fazer”, afirmou o secretário de Emprego, Thomas Perez.

O desemprego está no seu nível mais baixo desde julho de 2008

A desaceleração da abertura de vagas em outubro não modifica a avaliação geral de que a recuperação mantém seu curso, e o novo dado não deve levar a mudanças na estratégia do Federal Reserve. O banco central norte-americano decidiu há uma semana deixar de comprar títulos de dívida, após seis anos injetando liquidez de forma maciça. Espera-se que em meados de 2015 o Fed comece a subir a taxa básica de juros, desde que os dados continuem mostrando que a economia já pode crescer por conta própria.

Janet Yellen, presidenta do Fed, já está preparando o mercado para essa eventualidade. Em um discurso pronunciado em Paris, ela disse que a política monetária dos EUA terá de voltar à normalidade à medida que o emprego, a atividade econômica e a inflação regressarem aos níveis que o Fed persegue. “A normalização da política monetária será um importante sinal de que as condições econômicas finalmente emergiram das sombras da Grande Recessão”, avaliou.

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Apesar dessa leitura geral positiva, continuam existindo pontos vulneráveis que explicam por que a recuperação não parece tão sólida na economia real. Esse descontentamento levou o eleitorado a impor na terça-feira um duro revés à política econômica de Obama. O desemprego afeta 18,6% dos jovens, e 2,9 milhões de pessoas são tidas como cronicamente desempregadas, o que representa 32% do total de desempregados. Também se mantém o número de norte-americanos obrigados a trabalhar apenas em tempo parcial, que são sete milhões. A eles se somam 2,2 milhões de pessoas que não procuram emprego.

Embora chegue tarde para os democratas, o indicador positivo desta sexta-feira suaviza o golpe eleitoral. A geração média de emprego do inverno boreal está sendo robusta, acompanhando um crescimento próximo ao potencial dos EUA. A primeira leitura do PIB do terceiro trimestre apontou uma expansão de 3,5%, depois dos 4,6% do segundo trimestre. Para o fechamento do ano, espera-se que se mantenha em 3%. Mas a contração de 2,1% no primeiro trimestre atrapalha a conta final para 2014.

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