Dilma reconhece inflação e sinaliza ajuste esperado pelo mercado

Presidenta promete cortar gastos sem aumentar desemprego ou reduzir ministérios

Dilma durante cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira.
Dilma durante cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira.EVARISTO SA (AFP)

A presidenta Dilma Rousseff reconheceu nesta quinta-feira que o aumento da inflação é um problema. Em entrevista a veículos de imprensa brasileiros, a petista se comprometeu, no dia em que o dólar atingiu o valor de 2,56 reais, a maior em nove anos, a realizar cortes nos gastos governamentais para ajudar a controlar o aumento dos preços. Uma semana depois de o Banco Central elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a Petrobras anunciou um aumento de 3% no preço da gasolina para esta sexta-feira.

Rousseff disse que o governo vai ter de "fazer o dever de casa" e apertar o controle sobre a inflação, e prometeu analisar os gastos do Governo "com lupa", emulando o discurso de campanha de seu principal adversário nas últimas eleições, o senador Aécio Neves (PSDB). "Nós temos um problema interno com a inflação", admitiu a presidenta. Na entrevista concedida no Palácio do Planalto, Rousseff também afirmou que "sempre haverá gastos para cortar", sinalizando que o controle da inflação será feito por meio de cortes de gastos, e não somente com a elevação da taxa básica de juros.

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"Vamos fazer o dever de casa, apertar o controle da inflação e teremos limites fiscais. Vamos reduzir os gastos. Vamos olhar todas as contas com lupa e ver o que pode ser reduzido e o que pode ser cortado. Temos que fazer um ajuste em várias coisas, várias contas podem ser reduzidas", afirmou a presidenta na entrevista, sem dar detalhes sobre as áreas que seriam alvos de redução de gastos. De acordo com o jornal Valor Econômico, contudo, Rousseff sinalizou que deve revisar as regras das pensões por morte, dos abonos salariais e do seguro-desemprego.

A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada em 12 meses até setembro ficou em 6,75%, acima do teto da meta do governo, de 6,5% por cento, e bem distante do centro da meta, de 4,5%. Nesta sexta-feira, o IBGE divulga o IPCA de outubro, e a expectativa é que o índice tenha desacelerado, mas que se mantenha acima do teto da meta em 12 meses.

Na entrevista, Dilma rejeitou e classificou como "lorota" a ideia de reduzir o número de ministérios, que atualmente está em 39. O número foi bastante criticado durante a campanha eleitoral por Aécio Neves, a quem Rousseff atribuiu a intenção de levar a cabo boa parte do receituário que seu Governo adotou dias após a garantia da reeleição.

A presidenta também voltou a dizer que o nome do novo ministro da Fazenda será anunciado após a reunião do G20, que acontece entre 15 e 16 de novembro na Austrália. Rousseff afirmou ainda que não existe uma "receita prontinha" para colocar a economia brasileira de volta no caminho do crescimento, mas, assim como fez durante a campanha, prometeu que não vai elevar o desemprego.

As denúncias de desvio de recursos da Petrobras para partidos de sua base aliada, feitas pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa dentro da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, também foram comentadas durante a entrevista. Rousseff disse que as investigações do episódio representam uma oportunidade de acabar com a impunidade. "Não vou engavetar nada, não vou pressionar para não investigar, quero todos os responsáveis punidos", prometeu.

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