As duas Coreias voltam a se enfrentar em sua fronteira marítima

Um navio norte-coreano e outro sul-coreano trocam tiros perto de Yeonpyeong

Manobras de treinamento de tropas sul-coreanas, em 2010.
Manobras de treinamento de tropas sul-coreanas, em 2010.S. K. S. (EFE)

A relação entre as duas Coreias se caracteriza por seus constantes altos e baixos. Se há três dias uma visita inédita de altos representantes do Governo norte-coreano ao sul propiciou uma possível reativação do diálogo entre ambos os países, nesta terça-feira seus Exércitos protagonizaram mais uma disputa em sua fronteira marítima.

Segundo o Ministério de Defesa da Coreia do Sul, por volta das 10h desta terça-feira (22h da segunda-feira em Brasília) uma patrulha norte-coreana cruzou e avançou por cerca de um quilômetro a fronteira marítima perto da ilha de Yeonpyeong, situada em águas a oeste da península. A 8,8 quilômetros de distância estava um navio sul-coreano que, após detectar a invasão, “emitiu mensagens de advertência repetidamente”. Ao não obter resposta alguma e ao ver que o navio não se retirava, “foram disparados cinco tiros”. O lado norte-coreano, então, respondeu com “dezenas de disparos” e os militares sul-coreanos fizeram o mesmo. A troca de tiros durou cerca de 10 minutos. Os veículos de comunicação estatais da Coreia do Norte não publicaram sua versão dos fatos.

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Apesar do incidente, nenhuma das embarcações sofreu danos, por causa do curto alcance dos projéteis em ambos os lados. “Os dois navios trocaram disparos, mas nenhuma embarcação teve a intenção de matar ou ferir o adversário”, afirmou um representante do Exército sul-coreano. Os arredores do arquipélago de Yeonpyeong são um cenário habitual desse tipo de enfrentamento entre os dois Exércitos, devido à sua proximidade da fronteira que divide as águas da sua costa ocidental. Desde meados dos anos noventa a Coreia do Norte vem disputando esse limite, estabelecido no armistício firmado em 1953 após o fim da guerra entre os dois países. Pyongyang reclama uma fronteira mais ao sul, algo que a comunidade internacional nunca aceitou. A região do arquipélago é de grande importância para a indústria pesqueira.

Em maio, um incidente semelhante na mesma área obrigou os moradores da ilha a se abrigar em refúgios habilitados. Em novembro de 2010, em um dos piores episódios recentes do conflito, o Exército norte-coreano bombardeou a ilha e provocou a morte de dois civis e dois soldados da Marinha sul-coreana.

O confronto desta terça-feira ocorre apenas três dias depois da visita surpresa de Hwang Pyong-so, supostamente o braço-direito de Kim Jong-un, à cidade sul-coreana de Incheon, durante o encerramento dos Jogos Asiáticos. Hwang e sua delegação se reuniram com altos oficiais de Seul e concordaram em realizar uma nova rodada de diálogos de alto nível em um futuro próximo. O novo encontro poderia acontecer no fim de outubro ou início de novembro. Em fevereiro, os dois países começaram a quebrar o gelo com uma primeira reunião formal após sete anos de bloqueio, o que permitiu, uma semana depois, a organização de encontros entre famílias dos dois lados separadas pela Guerra.

O líder máximo norte-coreano, entretanto, continua sem aparecer. Segundo a agência de notícias norte-coreana KCNA, altos funcionários do regime comunista organizaram na segunda-feira um banquete em homenagem aos atletas que participaram dos Jogos Asiáticos e suas famílias, com grande presença do alto escalão do Exército e da política norte-coreana. Não há menção alguma sobre Kim Jong-un, que, de acordo com a rede de televisão estatal do país, está “sofrendo incômodos” e cuja última aparição pública ocorreu em 3 de setembro. Na Coreia do Sul se especula que o Marechal pode ter fraturado os dois tornozelos ou estaria sofrendo de gota, entre outras hipóteses.

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