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Coalizão bombardeia o EI para defender o enclave curdo na Síria

Os ataques mataram 233 pessoas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos

Agências
Beirute / Ancara - 30 sep 2014 - 15:17 UTC
Tanques turcos passam por Suruc, perto da fronteira com a Síria.
Tanques turcos passam por Suruc, perto da fronteira com a Síria.REUTERS

Os aviões da coalizão internacional liderada pelos EUA contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI) bombardearam nesta terça-feira posições da organização próximas ao enclave curdo assediado de Kobane (Ayn el Arab, em árabe), um dos principais da Síria, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. A ONG, com sede em Londres e pessoal em campo, explicou que a força internacional lançou ataques aéreos contra vários povoados controlados pelo EI ao leste e oeste dessa cidade. Mesmo assim, os jihadistas continuaram a avançar nesta terça e se encontram agora a cerca de cinco quilômetros de Kobane, segundo o diretor da organização, Rami Abdel Rahman.

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Ancara reforçou sua presença militar na fronteira da Síria depois de obuses lançados pelo Estado Islâmico terem atingido seu território, na segunda-feira. A ameaça levou o Exército turco a enviar 35 tanques para uma colina desde a qual é possível ver Kobane, a cidade curda que os jihadistas cercaram e estão bombardeando desde sábado e da qual estão a cinco quilômetros de distância. Necdet Ozel, chefe do Estado-Maior da Turquia, terá uma reunião com o Governo hoje para discutir uma possível resposta às agressões.

Um dos obuses que atingiu o território turco danificou o veículo de uma equipe de jornalistas da emissora CNN Türk. Pelo menos sete projéteis disparados da Síria atingiram a Turquia nos últimos três dias, tendo um deles caído sobre uma casa de um ponto próximo à fronteira, ferindo três de seus ocupantes.

Mais de 200 vítimas

Pelo menos 233 pessoas morreram na Síria desde o início da ofensiva aérea dos EUA e seus aliados contra o EI, uma semana atrás, declarou à agência Efe o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abderrahman.

O ativista disse que pelo menos 211 combatentes jihadistas morreram desde que os ataques aéreos começaram, em 23 de setembro. Estão incluídos nesse número pelo menos 60 integrantes da Frente Al Nusra, filial da Al Qaeda na Síria. Além disso, pelo menos 22 civis morreram devido aos bombardeios da coalizão internacional.

O porta-voz dos soldados curdas peshmergas, Helgurd Hikmet, explicou hoje que as tropas curdas conseguiram avançar na região de Rabia, na fronteira com a Síria, onde recuperaram o controle de vários povoados. Também tomaram a iniciativa com ataques ao povoado de Zumar, nos arredores de Mossul, e ao município de Daquq, ao sul da cidade petrolífera de Kirkuk.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pronunciou-se na segunda sobre a participação de Ancara na coalizão militar encabeçada pelos EUA. “Vamos manter discussões com as instituições relevantes esta semana. Vamos estar presentes onde precisamos estar, definitivamente. Não podemos ficar de fora disto”, declarou.

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