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O Papa clama contra uma terceira Guerra Mundial de “crimes e massacres”

Francisco critica a indiferença aos conflitos bélicos, durante uma homilia em memória dos mortos no conflito de 1914

O papa Francisco no cemitério de Fogliano Redipuglia.
O papa Francisco no cemitério de Fogliano Redipuglia.Daniel Dal Zennaro (EFE)

O papa Francisco advertiu neste sábado contra uma terceira Guerra Mundial "em partes", que se traduz em "crimes, massacres e destruições", e invocou a paz para deter a "loucura" bélica em diferentes pontos do mundo. O pontífice clamou contra a indiferença ante “o massacre inútil” das guerras durante a homilia que pronunciou no cemitério militar de Fogliano Redipuglia, onde compareceu para homenagear os mortos da Primeira Guerra Mundial no centenário da contenda e as vítimas de todos os conflitos bélicos.

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"Hoje, depois do segundo fracasso de uma guerra mundial, talvez se possa falar de uma terceira guerra combatida em partes, com crimes, massacres, destruições", afirmou. Francisco indicou que a guerra é "uma loucura" que cresce destruindo e transtornando tudo, até a relação entre irmãos e "o mais belo que Deus criou", o ser humano.

Também lamentou a quantidade de vítimas desses conflitos porque "na sombra" convergem "interesses, estratégias geopolíticas e ambição por dinheiro e poder", que frequentemente encontram justificação na ideologia. Concretamente, criticou a indústria de armamentos -"que parece ser tão importante"-, que denominou, junto aos outros fatores, de "panificadores do terror" e de "organizadores do desencontro".

O Papa também fez um discurso contra a indiferença a esse cenário de conflitos e pediu uma reação contra o belicismo porque "a humanidade tem necessidade de chorar, e esta é a hora do pranto". No maior monumento militar italiano dedicado aos soldados mortos na Primeira Guerra Mundial, o Papa repetiu em várias ocasiões a frase “não me importo” para denunciar a indiferença às guerras.

Fogliano Redipuglia é uma localidade do nordeste da Itália, próxima da fronteira com a Eslovênia, palco de uma das frentes de batalha mais encarniçadas da Primeira Guerra Mundial. Nesse município há dois cemitérios nos quais jazem combatentes do império austro-húngaro e da Itália.

A intenção do Papa foi invocar a paz e orar pelos mortos em todos os conflitos bélicos, razão pela qual, de maneira simbólica, compareceu, em uma visita pastoral de apenas cinco horas, aos dois campos-santos para honrar os caídos de todos os lados.

No cemitério de Redipuglia celebrou uma missa em uma colossal escadaria de pedra coroada por três cruzes, cuja construção foi ordenada por Benito Mussolini em 1938 e que hoje em dia é o maior monumento aos mortos de guerra de todo o país.

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