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A Petrobras no centro da campanha eleitoral

Adversários de Dilma reforçam críticas sobre a gestão da estatal depois da delação do ex-diretor

PT questiona planos dos rivais para a empresa

Dilma em um desfile militar neste domingo em Brasília.
Dilma em um desfile militar neste domingo em Brasília. EFE

As denúncias de corrupção na Petrobras vão testar o seu alcance para a campanha eleitoral da presidenta Dilma Rousseff nesta semana, depois que o ex-diretor de abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, fez um acordo de delação premiada comprometendo dezenas de políticos ligados principalmente ao PT e PMDB. Embora os detalhes das informações prestadas à Polícia Federal não sejam conhecidos, o vazamento de dados, que insinuam a ligação de nomes graúdos dos dois partidos com eventual esquema de propinas da estatal, reforça o manto da desconfiança sobre a gestão da Petrobras.

Os adversários da presidenta procuram capitalizar o assunto para mostrar a ineficiência da gestão do Governo Rousseff sobre a estatal. Marina Silva, por exemplo, aproveitou para fazer um pronunciamento, em nome do dia da independência do Brasil, para tocar no assunto, ainda que sem se referir especificamente à delação de Costa. “Na campanha eleitoral, sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada por todos os meios, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”, afirmou.

Rousseff vem questionando o plano de Marina para a cadeia petrolífera, pois durante um dos debates na TV ela deu a entender que essa não seria a única prioridade do seu Governo.

Em campanha neste domingo, o candidato tucano Aécio Neves tentou reforçar o rótulo de que as denúncias seriam um caso de “mensalão 2”. “Essas denúncias mostram que o mensalão não acabou, ou pelo menos se criou o mensalão 2 durante todo esse período de Governo do PT”, afirmou no interior de São Paulo.

Também neste domingo, a presidenta voltou a falar sobre o vazamento de informações de Costa, em encontro com jornalistas no Palácio da Alvorada. "Acho que [a denúncia] não lança nada contra o Governo, porque ninguém do Governo foi acusado de nada”, disse Rousseff. Abordado durante os desfiles de 7 de setembro, em Brasília, o ministro da Secretaria Geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, desqualificou as informações conhecidas até agora sobre o depoimento do ex-diretor da Petrobras. “Estão tentando usar essa delação premiada [de Costa], ou melhor, a notícia parcial de vazamento não confiável, para tentar, um pouco no desespero, mudar o rumo da campanha”, disse Carvalho, segundo o jornal O Globo. “Vazamento sempre é condenável, porque pode ter sido por advogado de réu para proteger algum réu e prejudicar outro”, completou.

Os estragos da artilharia de Costa estão sendo avaliados pelas lideranças dos partidos mencionados. A priori, a sensação de observadores de dentro e de fora do PT é de que não haverá máculas mais profundas a ponto de alterar o rumo das pesquisas. Segundo o cientista político Fernando Abrucio, os eleitores normalmente sabem identificar que casos de denúncias de escândalos políticos, em meio a campanha eleitoral, precisam ser vistos com cautela, pois fazem parte da guerra política.

Mas a gestão da Petrobras é alvo de preocupação geral dos brasileiros, pois além de ser uma empresa identificada com o país, muita gente comprou ações da empresa por meio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou seja, contando com seus rendimentos para a aposentadoria. Por isso, a estratégia de Rousseff seria defendê-la do tiroteio eleitoral. Ironicamente, foi a atual presidente da estatal, Graça Foster, quem afastou Costa da Petrobras em 2012. 

Diante da névoa das acusações, a presidenta Rousseff afirmou que as informações até agora conhecidas, principalmente por meio da reportagem da revista Veja deste final de semana, não são oficias. Mas, se houve confirmação de algumas suspeitas, a mandatária afirmou que tomará “todas as providências cabíveis, todas as medidas inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes”.

A campanha petista também deve se defender a ofensiva dos adversários, questionando os planos do PSDB e do PSB para a gestão da petroleira. Em encontro do partido na última sexta-feira, o presidente da legenda, Rui Falcão, afirmou que “mexer no pré-sal é um tiro no coração da Petrobras”, insinuando que Marina Silva poderia descuidar da administração das reservas bilionárias da matéria-prima. No mesmo encontro, algumas lideranças lembravam que nos tempos do governo de Fernando Henrique Cardoso chegou-se a aventar a possibilidade de privatizá-la.

Sob pressão, a campanha de Rousseff pode colocar em foco, ainda, os esqueletos no armário dos seus rivais. Do aeroporto da cidade de Cláudio, vizinho à fazenda da família do tucano Aécio Neves, construído com dinheiro público, até o avião utilizado por Eduardo Campos, que morreu em um acidente no dia 13 de agosto. Há suspeitas de que a aeronave do acidente tenha sido comprada com recursos de caixa 2, segundo o jornal Folha de S. Paulo.