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Alierta: “A UE pode acabar em duas tardes com o monopólio” do Google

O presidente da Telefônica assegura que a ex-comissária Reding “foi o maior desastre que ocorreu na Europa”

O ministro Soria, com Vittorio Colao e César Alierta.
O ministro Soria, com Vittorio Colao e César Alierta.

O presidente da Telefônica, César Alierta, atacou duramente a falta de regulamentação europeia da atividade das empresas de Internet e, em especial, a permissividade da Comissão Europeia em relação aos “monopólios” dos sistemas operacionais fechados do Google (Android) e da Apple (iOS). “Custaria apenas uma tarde ao comissário europeu atual, duas no máximo se tivesse muito trabalho, acabar com os sistemas operacionais fechados”, indicou Alierta que participou do XVIII Encontro de Telecomunicações na UIMP em Santander, organizado pela Ametic.

O presidente da operadora afirmou que enquanto os Estados Unidos mudaram completamente sua legislação em 2003 para liberalizá-la, na Europa continua-se apostando em uma normativa obsoleta e assimétrica que só regula as companhias de telecomunicações enquanto deixa livres as empresas de Internet que “não respeitam nem a privacidade nem a segurança e conhecem a vida de todos nós”. “Os que inventaram isso de neutralidade na rede são os que não têm neutralidade”, insistiu.

Alierta critiou a anterior Comissão e especialmente a ex-comissária de telecomunicações, Viviane Reding, cujo mandato impulsionou medidas como o estabelecimento de preços máximos no roaming, com fortes quedas nas tarifas tanto de dados quanto de ligações na UE. “Reding foi o maior desastre que houve na Europa. Não sabia nem o que era uma rede”, afirmou o empresário, que expressou que deseja que sua sucessora, Neelie Kroes, trabalhe melhor.

No mesmo fórum, o diretor-executivo da Vodafone, Vittorio Colao, apoiou seu homólogo espanhol e pediu uma regulamentação única que não penalize o investimento e permita que as operadoras sejam rentáveis. “Como vamos criar empreendimentos na Europa se temos que lidar com 27 regulamentações. Nos EUA há 300 milhões de consumidores com uma única lei”, apontou, enquanto pedia uma maior consolidação do setor porque na “Europa somos mais de 100 operadores enquanto que nos EUA há menos de 10 e na China, 4.”

Por sua parte, o ministro da Indústria, José Manuel Soria, que inaugurou as jornadas, confirmou que a transferência das frequências liberadas da televisão digital às operadoras de celular (o chamado dividendo digital) será realizada em janeiro de 2015, como estava previsto.