As tropas ucranianas se retiram do aeroporto de Lugansk

Os Governos de Moscou e Kiev se sentam hoje para negociar em Minsk com a mediação da OSCE

Putin pede a Poroshenko para reatar as conversas.

As tropas ucranianas se retiraram do aeroporto internacional de Lugansk, no leste da Ucrânia, depois de manter férreos combates com os separatistas pró-russos nas últimas horas no local. “Os militares ucranianos em Lugansk receberam a ordem e se retiraram ordenadamente do aeroporto ‘Lugansk’ e da localidade de Gueroguievka”, reconheceu em coletiva de imprensa o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Andrei Lisenko.

Os combates na região aeroportuária não cessaram praticamente em nenhum momento desde que o aeroporto foi tomado pelas tropas ucranianas no mês de junho passado. Um comunicado militar anterior à retirada informou que paraquedistas ucranianos estavam combatendo diante de um batalhão de tanques russos.

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A significativa retirada do aeroporto de Lugansk coincide com uma escalada na frente diplomática. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, garantiu nesta segunda-feira que “um cessar-fogo imediato e sem condições” no leste da Ucrânia deve ser a prioridade das negociações que começam hoje em Minsk (Belarus) entre o Governo de Kiev e o de Moscou, com a mediação da Organização para a Segurança e a Cooperação da Europa (OSCE), segundo a agência Reuters. Enquanto isso, a violência entre grupos separatistas pró-russos e as forças de Kiev continua no Leste. Desta vez, o cenário de fogo cruzado se transfere para o aeroporto internacional de Lugansk, segundo bastião rebelde no leste da Ucrânia.

O chanceler russo reforçou que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) “devem exigir de Kiev o mesmo que exigem de outros conflitos: o fim do uso de armamento pesado e aviação contra as cidades, contra a população civil, e que não se destrua escolas e hospitais”, segundo a agência EFE. Além disso, segundo a rede britânica BBC, um grupo de senadores norte-americanos manifestou seu desejo de armar as forças ucranianas para combater o que eles consideram uma invasão russa. “Temos de reconhecer que isso já não é questão de um grupo isolado de separatistas, é uma invasão direta [à Ucrânia] por parte da Rússia”, disse à CNN o democrata e chefe do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, Robert Mendez.

Nesta mesma segunda-feira, o presidente russo Vladimir Putin fez uma chamada ao “bom senso” e pediu à UE que não se envolva em sanções “mutuamente destrutivas” entre os dois blocos. “Espero que possamos trabalhar juntos [em referencia à Rússia e à UE] e que não nos ataquemos mutuamente”, disse o presidente em uma entrevista durante uma visita a Yakutsk, Sibéria.

Petro Poroshenko fala sobre a violência na Ucrânia

Lavrov, durante um encontro com estudantes em Moscou, acrescentou que as tropas ucranianas “devem abandonar as posições a partir das quais podem causar dano à população civil”. O titular do ministério das Relações Exteriores insistiu que não há “nem haverá” intervenção militar de seu país na Ucrânia, e que está empenhado para que “haja uma solução exclusivamente pacífica para essa tragédia”.

O ministro das Relações Exteriores russo fez um apelo ao Ocidente em prol do diálogo e pediu que se deixe de lado as ameaças de sanções: “Vamos nos sentar para conversar, sem ameaças de sanções, e sem demandas completamente distantes da realidade, como a de que os milicianos entreguem as armas e deixem-se massacrar, pois o plano de paz de [Petro] Poroshenko se reduz exatamente a isso”.

A declaração de Lavrov acontece um dia depois que Putin instou Kiev a sentar-se com os separatistas para negociar a paz e entrar em acordo para dar ao leste da Ucrânia uma autonomia que leve em conta os interesses dos falantes de russo.

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