O FMI respalda Lagarde após sua imputação pela justiça francesa

O órgão emitiu um comunicado no qual demonstra “sua confiança na capacidade da diretora-gerente”

O Diretório Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu na última sexta-feira uma nota de apoio à sua diretora-gerente, Christine Lagarde, diante da acusação da Justiça francesa em relação ao envolvimento dela no caso Tapie. "Como assinalamos anteriormente, seria improcedente se pronunciar sobre uma causa atualmente aberta no sistema judiciário francês. No entanto, o Diretório Executivo foi informado sobre eventos recentes relacionados a este assunto, e continua expressando sua confiança na capacidade da diretora-gerente em desempenhar devidamente suas funções".

A Justiça francesa acusou Christine Lagarde, de 58 anos, na quarta-feira passada, por sua participação no chamado caso Tapie, quando era ministra da Economia de Nicolas Sarkozy. A investigação foi suscitada por causa da adjudicação de 403 milhões de euros (1,18 bilhão de reais) assinada pelo Governo de Sarkozy, em 2008, como reparação pelas supostas perdas sofridas pelo empresário Bernard Tapie, amigo do então presidente da República, na venda da Adidas por parte do banco Crédit Lyonnais.

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A ajuda pública a Tapie foi concedida por uma comissão de arbitragem que o juiz Serge Tournaire chegou a qualificar como um "simulacro de arbitragem".

O caso Tapie é arrevesado. O milionário francês Bernard Tapie, detentor de uma das maiores fortunas do país, vendeu, em 1993, a Adidas ao banco semipúblico Crédit Lyonnais, condição imposta por François Miterrand para conceder a Tapie um cargo de ministro. Em pouco tempo, o banco vendeu a Adidas e obteve grandes lucros, o que levou Tapie a denunciar o caso e ganhar, em primeira instância, o direito a uma reparação no valor de 135 milhões de euros (396,6 milhões de reais) por danos, mais juros. O Supremo, no entanto, anulou esta decisão.

Em 2008, Nicolas Sarkozy, para quem Tapie havia pedido votos um ano antes, ressarciu amplamente o empresário de suas supostas perdas. O Ministério da Economia, na época, formou um "tribunal de arbitragem" e este decidiu outorgar a Tapie 403 milhões de euros (1,18 bilhão de reais) pelo litígio, o que escandalizou uma grande parte dos cidadãos.

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