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Popeye, chefe dos pistoleiros de Escobar, é libertado após 23 anos de prisão

John Jairo Velásquez, um dos matadores de aluguel mais sanguinários do cartel de Medellín, sai da cadeia depois de cumprir 60% de sua pena

Popeye com um livro sobre Pablo Escobar.
Popeye com um livro sobre Pablo Escobar. AP

Quatro dias depois de um juiz da Colômbia expedir sua liberdade condicional, o homem que comandava os matadores de aluguel do chefão Pablo Escobar, e ficou conhecido pelo apelido de Popeye, foi solto após passar 23 anos na prisão. Às 21h da terça-feira (23h em Brasília), John Jairo Velásquez Vásquez, de 52 anos, voltou às ruas escoltado por uma caravana de cinco carros blindados e acompanhado por funcionários da Defensoría del Pueblo (órgão colombiano encarregado de zelar pelos direitos humanos), a quem, pela manhã, ele havia pedido proteção, através de uma carta escrita de próprio punho.

Popeye, que admitiu em várias entrevistas ter matado mais de 300 pessoas e ordenado a morte de outras 3.000 no fim dos anos oitenta e início dos anos noventa, durante o período de violência protagonizado pelos cartéis da droga, teme a liberdade. Ele sabe que tem muitos inimigos por causa de seus crimes e por ter sido testemunha-chave de vários processos judiciais – como o que esclareceu o assassinato do candidato liberal Luis Carlos Galán Sarmiento em 1989, idealizado pelo político Alberto Santofimio Botero – e diz que eles já colocaram sua cabeça a prêmio.

A libertação de Popeye estava prevista desde a segunda-feira, mas foi retardada porque as autoridades queriam comprovar que o pistoleiro, que começou no submundo do crime aos 18 anos em pleno auge do cartel de Medellín, não tinha nenhum outro processo penal pendente. Enquanto isso, algumas vítimas do cartel afirmaram não entender como um dos protagonistas do narcoterrorismo que assombrou o país há mais de duas décadas poderia sair da prisão após ter cumprido 60% de sua pena.

A operação de libertação daquele que foi um dos homens de confiança de Escobar se tornou um mistério durante toda a terça-feira. Com o passar das horas, as câmeras de televisão foram se aglomerando nas portas da penitenciária de segurança máxima de Cómbita, a duas horas de Bogotá, para registrar sua saída.

Para escoltar Popeye, a polícia precisou montar um esquema de segurança. Em um pedágio na estrada que leva a Bogotá, conhecido pelo nome de Albarracín, a primeira escolta foi substituída por outra que o acompanhou até a capital. Não se sabe qual será seu paradeiro de agora em diante. A imprensa local noticiou que ele deve entrar para um grupo de reintegração e socialização.

Fez 14 cursos na prisão e se formou em recuperação ambiental

Popeye, que fez 14 cursos de nível superior enquanto esteve preso e se formou em recuperação ambiental, surpreendeu a opinião pública e as autoridades pela frieza com que descreveu seus crimes. “Se Pablo Escobar nascesse outra vez eu me juntaria a ele sem pensar duas vezes”, disse em uma entrevista. Apesar disso, ele também se declarou um “bandido aposentado que abandonou seu posto”. Em uma entrevista ao jornal El Tiempo, em fevereiro de 2013, Popeye afirmou que quando fosse libertado gostaria de ter uma chance de se redimir dos milhares de crimes que cometeu. “Sou um homem que procura uma oportunidade na sociedade. Um homem que está em paz consigo mesmo. Quando eu sair, repito, não quero fazer mal a ninguém. Não tenho medo da justiça porque percebi que até para um homem como Popeye pode haver justiça”, disse.

Este assassino, que se entregou à Justiça em 1991 com Pablo Escobar e acompanhou o chefão no tempo em que este ficou em uma prisão que ele mesmo mandou construir e da qual fugiu um ano depois, terá agora um período de quatro anos de liberdade condicional e terá que se apresentar às autoridades periodicamente, além de se comprometer a não voltar a cometer crimes. Sua saída reabre velhas feridas da guerra contra o narcotráfico que ainda não estão curadas na Colômbia.