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Alarmes sanitários

Seguir os protocolos para o ebola não deve ser confundido com provocar medo na população

O pânico diante do ebola se instalou nos países mais atingidos pelo vírus. Na Libéria e Serra Leoa, onde a epidemia está longe de ser controlada, o número de afetados aumenta sem parar. Seus sistemas de saúde já precários estão sobrecarregados e são muitas as pessoas com outras doenças (tifo, malária) que não estão sendo atendidas. Em uma tentativa de frear a propagação do ebola, a Libéria decretou toque de recolher, colocou em quarentena bairros inteiros e mobilizou o Exército para sufocar as revoltas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que levou vários meses para decretar a emergência pública internacional, e a Médicos sem Fronteiras reconhecem que estão impotentes para frear o surto. “Ele se espalha mais depressa do que nossa capacidade de resposta”, disse a presidenta da ONG, Joanne Liu, que pede mais meios para reabrir os hospitais, uma tarefa que as Nações Unidas deveriam enfrentar de imediato.

Até o momento, as cifras oficiais apontam 2.743 doentes, dos quais 1.350 morreram, todos na África, salvo o sacerdote espanhol Miguel Pajares, que faleceu no dia 12, em Madri, depois de ser trazido da Libéria. A infecção, pois, parece restrita à África e os especialistas argumentam que o risco de que passe a outros continentes é relativamente baixo. Mas já se sabe que o medo é contagioso.

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Adotar precauções extremas para controlar o vírus não tem nada a ver com provocar alarme ou tomar medidas injustificadas. Fechar as fronteiras para os afetados com o vírus, como fez ontem a África do Sul, não é uma receita que vá conter por si mesma o ebola. Mas não fazê-lo não significa que se vá baixar a guarda. Vigiar o tráfego de passageiros nos aeroportos para detectar casos suspeitos é fundamental.

Nesse sentido, a Espanha baixou protocolos de ação bastante precisos para ativar os alertas e estabeleceu hospitais de referência. Mas convém não causar alarme na população cada vez que um viajante mostre sintomas de febre. As autoridades têm a obrigação de transmitir todas as informações relevantes e é preciso exigir que atuem com a máxima transparência na hora de abordar uma crise sanitária de alcance internacional como esta. Mas isso não as obriga a dar detalhes de cada caso suspeito analisado (dos quais nenhum deu positivo), pois isso somente contribuiria para gerar uma desnecessária psicose na população.

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