Seleccione Edição
Login

Os ministros da Venezuela colocam os cargos à disposição de Maduro

A renúncia de todo o gabinete parece antecipar a reorganização do Executivo anunciada pelo presidente

Jorge Arreaza, nesta segunda-feira em Caracas.
Jorge Arreaza, nesta segunda-feira em Caracas. AFP

Os membros do gabinete executivo venezuelano colocaram seus cargos à disposição do presidente Nicolás Maduro para “que ele tenha liberdade em relação às decisões que precise tomar sobre a reorganização do Governo”, anunciou o vice-presidente Jorge Arreaza, em um pronunciamento na TV na segunda-feira à noite. Quase de forma simultânea, em sua conta no Twitter, o sucessor de Hugo Chávez agradecia seus ministros pelo “gesto”, que facilitará fazer “as mudanças necessárias”.

É a segunda reestruturação que o Governo de Maduro, encurralado por uma intensa crise econômica, pelo aumento dos crimes e dos distúrbios públicos, realiza em apenas 16 meses de gestão. Já em janeiro houve outra renúncia conjunta do gabinete.

Desta vez, no entanto, a saída de ministros acontece no momento da anunciada “sacudida” que Maduro promove para, segundo suas próprias palavras, gerar uma “revolução dentro da revolução” e combater as ineficiências e a burocracia que afetam a administração pública venezuelana.

As medidas de reestruturação da máquina do Governo serão produto de um relatório de reavaliação estratégica que Maduro encarregou ao vice-presidente da Área Econômica e Produtiva, Ricardo Menéndez, e o assessor cubano, Orlando Borrego, um ex-colaborador de Che Guevara. Os resultados do relatório deveriam ter sido apresentados em 15 de julho, mas na época Maduro julgou ser necessário atrasar sua divulgação em um mês, prazo que venceu na sexta-feira passada. A renúncia do gabinete completo parece antecipar a iminência da reorganização do Governo.

Ao fazer o anúncio, Arreaza, genro do falecido comandante Hugo Chávez, junto a Menéndez, um dos líderes mais visíveis do grupo de jovens turcos que freiam o avanço dos pragmáticos no Governo de Maduro, afirmou que se trata de uma decisão adotada “com absoluto desprendimento” depois de uma “reflexão” coletiva. “Nestas avaliações realizadas, analisamos os processos, os problemas com a burocracia, (...) Já o presidente Maduro conta com uma série de contribuições e esperamos que nas próximas semanas faça os anúncios”, concluiu o vice-presidente.