Ofensiva do Estado Islâmico

Bagdá afirma que recuperou o controle da represa de Mossul

O ministro da Defesa britânico diz que a operação “vai além da missão humanitária”

Imagens de um ataque à represa. Data não confirmada.

As forças de segurança curdas – os peshmerga –, com o apoio do Exército iraquiano, afirmaram ter recuperado o controle da represa de Mossul, tomada há dias por militantes do Exército Islâmico (EI). A informação foi confirmada nesta segunda-feira por Qasem Atta, porta-voz do Exército do Iraque, na rede estatal de televisão Al Iraquiya. Ele não detalhou, no entanto, se as tropas contaram com apoio da força área norte-americana. Até o momento, o Pentágono ainda não pronunciou a respeito. Mas os jihadistas desmentiram a informação através do Twitter, rede social pela qual o grupo torna públicos seus comunicados. Enquanto isso, o ministro da Defesa britânico, Michael Fallon, afirmou, em entrevista ao jornal The Times, que a operação das forças armadas de seu país no Iraque irá “além da missão humanitária”. Minutos depois, David Cameron desmentiu que o Reino Unido se envolverá em outra guerra no Iraque, mas insinuou que o país deveria utilizar sua destreza militar para fazer frente aos insurgentes que pretendem criar “um Estado terrorista às margens do Mediterrâneo”.

Ainda nesta segunda-feira, a rede norte-americana CNN afirmou em seu site que continuam a ocorrer confrontos nas imediações da represa. No domingo, o Departamento de Estado norte-americano anunciou que suas forças lançaram 14 bombardeios sobre alvos ao redor da barragem e conseguiram destruir vários veículos usados por combatentes do EI.

O avanço peshmerga, com apoio norte-americano no norte do Iraque, é um passo essencial para a recuperação dos territórios perdidos para o EI, que no último dia 10 de junho tomou o controle de Mossul. “A próxima parada será Mossul”, afirmou Sabah Nuri, do Exército iraquiano, à agência Reuters, nesta segunda-feira. “A nova tática de lançar um ataque rápido obteve sucesso e estamos decididos a continuar nessa linha com a ajuda do serviço de inteligência norte-americano”, acrescentou.

O ministro conservador britânico disse que os aviões militares RAF Tornado e um avião espião estão voando para além da área onde se concentra a crise humanitária, no Curdistão (ao norte do país), para reunir informações sobre as milícias do Estado Islâmico (EI), que desde junho avançam rumo a Bagdá em sua tentativa de instaurar um califado islâmico na região.

Diante do avanço jihadista no norte do Iraque e da limpeza étnica que estão realizando contra as minorias cristãs e yazidis, a União Europeia (EU) aprovou, na última sexta-feira, o envio de armas e apoio militar aos peshmerga para combater os insurgentes e proteger as minorias. Trata-se de uma decisão que ultrapassa o guarda-chuva político que os países-membros do bloco poderiam exibir ante suas respectivas opiniões públicas.

Até o momento, o Reino Unido havia se limitado a enviar uma ajuda a conta-gotas às forças de segurança curdas, os peshmerga, que apoiam o recém-instalado Governo de Bagdá em sua luta contra as milícias jihadistas do EI. O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al Maliki, apresentou sua demissão na última quinta-feira e anunciou seu apoio ao novo chefe do Executivo, Haidar Al Abadi, que conta também com a aprovação do Irã e dos Estados Unidos.

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