Ofensiva jihadista

A França anuncia a entrega de armas aos curdos do Iraque

“A França pretende desempenhar um papel ativo”, indica o comunicado do Governo francês

Soldados das forças curdas de Peshmerga e voluntários xiitas tomam posições em Amerly, no noroeste de Bagdá, em 7 de agosto.
Soldados das forças curdas de Peshmerga e voluntários xiitas tomam posições em Amerly, no noroeste de Bagdá, em 7 de agosto.STR (EFE)

Sem esperar um possível consenso europeu sobre o tema, a França anunciou nesta quarta-feira pela manhã que entregará armas “nas próximas horas” às forças que enfrentam os jihadistas do Estado Islâmico (EI) no Iraque. Na véspera, os representantes permanentes dos 28 países da UE em Bruxelas não haviam chegado a um acordo sobre o tema, e nos próximos dias é esperada uma convocatória para uma reunião de ministros de Relações Exteriores europeus. Paris, que já havia entregado várias toneladas de ajuda humanitária no terreno, também oferece seu apoio ao novo primeiro-ministro iraquiano, Haidar al-Abadi, que assumiu o posto após a renúncia de Nuri al-Maliki.

“A catastrófica situação enfrentada pela população na região do Curdistão iraquiano requer a continuidade e a ampliação da mobilização da comunidade internacional” na qual a “França pretende desempenhar um papel ativo”, indica o comunicado do Governo francês. “Para responder às necessidades urgentes expressadas pelas autoridades regionais do Curdistão, o chefe do Estado decidiu, em acordo com Bagdá, enviar armas nas próximas horas”, acrescenta a presidência francesa.

A França também “reitera seu apoio ao primeiro-ministro designado, Haidar al-Abadi” e destaca a necessidade de colocar rapidamente em prática “um governo de união, que represente todas as comunidades iraquianas para lutar de modo eficaz contra o Estado Islâmico”.

Durante o fim de semana, Hollande enviou à região o ministro de Relações Exteriores, Laurent Fabius, para supervisionar as primeiras entregas de ajuda humanitária francesa e verificar as necessidades no terreno. Em sua viagem de dois dias, Fabius fez escala em Bagdá e em Erbil, a capital do Curdistão iraquiano. Nesta visita se reuniu com Massoud Barzani, que “insistiu na imperiosa necessidade de dispor de armamentos e munições que permitam lutar contra o EI”, segundo informa o próprio ministro em uma carta aberta à representante europeia de política exterior, Catherine Ashton, à qual pedia que a UE respondesse efetivamente a esse pedido.

No âmbito humanitário, a França já entregou 18 toneladas de ajuda a Erbil no domingo. Um segundo voo com 20 toneladas de medicamentos e material médico e de distribuição de água para cerca de 50.000 civis estava a caminho da capital curda na quarta-feira. Além desta, outras operações estão previstas nos próximos dias, segundo um comunicado do Ministério de Relações Exteriores.

A França assumiu o papel ativo da condução da crise humanitária desencadeada pela ofensiva jihadista e pela fuga de milhares de civis, e pressiona por uma postura comum da comunidade europeia perante o conflito, em particular na entrega de armas. No entanto, com seu exército ainda mobilizado em Mali, descarta qualquer intervenção militar, como a realizada pelos Estados Unidos com bombardeios seletivos.