Paul Singer, o inimigo feroz de Cristina Kirchner

Multimilionário, republicano e implacável: assim é o chefe do “fundo abutre” NML

Paul Singer durante o Fórum Econômico Mundial, em 2013.
Paul Singer durante o Fórum Econômico Mundial, em 2013.

O norte-americano Paul Singer, de 69 anos, é o principal inimigo da Argentina em sua batalha contra os fundos de investimento credores. Singer é o diretor do Elliott Capital Management. Uma das suas filiais - NML - não aceitou, junto a outros investidores, as reduções oferecidas em 2005 e 2010 por Buenos Aires e liderou uma longa e feroz luta nos tribunais. A vitória final chegou em junho quando um juiz de Nova York determinou que a Argentina devia pagar suas dívidas pendentes. Cerca de 682 milhões de reais correspondem à NML, em troca da dívida que, segundo o Governo argentino, foi adquirida por 106 milhões.

Singer acumula uma fortuna de 3,40 bilhões de reais, segundo a revista Forbes. Em 1977 fundou a Elliott e, graças a sua agressividade empresarial, conseguiu catapultar o fundo, que administra um capital de 33 bilhões.

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Este multimilionário discreto, doador generoso do Partido Republicano e ativista dos direitos dos homossexuais não poupou esforços em sua cruzada contra Buenos Aires. Seu mantra: pressionar ao máximo. Singer não duvidou em organizar a distribuição de panfletos contra a política do Governo argentino em qualquer viagem da presidenta Cristina Kirchner aos Estados Unidos, conseguiu reter durante 70 dias em 2012 em um porto de Gana a fragata almirante da Armada argentina e colocou Cristina Kirchner em enormes apertos logísticos. Entre 2007 e 2010, o Governo argentino teve que cancelar vários voos de seu avião oficial aos EUA e Alemanha para que ele não fosse embargado.

A estratégia de Singer de comprar dívida quando seu preço está muito baixo para depois reclamar um benefício maior não é nova e fez com que sua empresa ganhasse o qualificativo de fundo abutre. Nos anos 90 conseguiu, mediante sentenças judiciais, receber 130 milhões de reais em dívidas do Peru, que havia comprado por 24 milhões, e outros 203 milhões em passivos do Congo que havia comprado por 45 milhões.

Nos EUA, Singer, formado em direito pela Universidade de Harvard, não é conhecido por sua ofensiva contra Buenos Aires, mas por seus vínculos políticos e sua influência em Wall Street. Singer é um dos doadores mais generosos dos republicanos para estas eleições legislativas de novembro, como já aconteceu no passado. No entanto, não coincide em 100% com as teses do aparato do partido, especialmente em relação aos direitos dos gays, uma causa que abraçou com força, influenciado por seu filho, que se casou com outro homem.

No terreno econômico, Singer criticou a política ultraexpansiva do Federal Reserve e as mudanças reguladoras impulsionadas por Barack Obama por serem muito frouxas com os grandes bancos. Não em vão, foi um dos investidores que mais alertou sobre os riscos das hipotecas subprime antes do desastre financeiro de 2008. Certamente, segundo a revista Fortune, é um “defensor apaixonado” do 1% mais rico do país.