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Um aeroporto no caminho de Aécio Neves

O candidato tenta se defender das acusações de favorecer parentes na construção de um terminal na cidade mineira de Cláudio

O candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves.
O candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves. A. Brasil

A candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência enfrenta a sua primeira turbulência. Desde que o jornal Folha de S.Paulo trouxe à tona, no último dia 20, que o tucano teria construído um aeroporto em um terreno de sua família na cidade de Cláudio, ele vem sendo cobrado a dar explicações. Na época, Neves era governador de Minas Gerais.

Com 30.000 habitantes, o município de Cláudio está a cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte. O candidato do PSDB tem uma fazenda a seis quilômetros do polêmico aeroporto.

Quando questionado em eventos públicos sobre o assunto, Neves tem evitado entrar em detalhes sobre a obra que custou cerca de 14 milhões de reais aos cofres públicos. Ele preferiu dar as explicações em seu perfil nas redes sociais.

Na quarta-feira 23, um post em formato de perguntas e respostas foi publicado para esclarecer suas posições. Segundo ele, a construção do aeroporto ocorreu em um terreno público, que já tinha sido desapropriado de seus parentes por ser “a maneira de a obra ficar mais barata” já que ali “existia uma pista de pouso há mais de 20 anos”.

Ele também rebate o argumento de que os seus familiares teriam sido privilegiados, apontando que há uma disputa judicial entre os antigo dono (seu tio avô) e o governo de Minas para discutir os valores da desapropriação.

Mas, no próprio questionário criado para esclarecer o assunto há uma pergunta sem resposta. Por que as chaves de um aeroporto público se encontram nas mãos de um primo de Aécio? Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou que é ele quem, de fato, libera o uso do espaço públicos. “Não sabemos. Não é correto que outras pessoas possuam as chaves”, responde Neves em seu auto questionário.

O tucano também não esclarece se ele é usuário, ou não, do aeroporto de Cláudio.

As polêmicas em torno do assunto têm consumido o tempo de exposição de Neves. Ainda desconhecido por parte do eleitorado e precisando angariar votos para tentar chegar a um segundo turno, a exposição do tucano nos noticiários tem se resumido a questionamentos sobre o escândalo e não a agenda idealizada por sua campanha.

Há uma série de controvérsias sobre o aeroporto que, segundo o candidato, fez parte do programa ProAero, lançado em sua gestão, que previa 14 terminais novos no Estado. Desses, apenas o de Cláudio, com capacidade para aeronaves de até 50 passageiros, e mais um saíram das maquetes. A sua operação, aliás, ainda não foi homologada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o que o torna irregular.

A imprensa vem questionando ainda a necessidade de Cláudio ter uma aeroporto e a razão de o seu governo ter promulgado uma lei que dá o nome de um outro tio dele ao terminal.