Kerry chega a Cabul para tentar mediar a disputa eleitoral afegã

O secretário de Estado norte-americano terá uma reunião com os dois candidatos presidenciais

O secretário de Estado John Kerry durante sua chegada a Cabul.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chegou a Cabul com o objetivo de conseguir mediar a mais recente crise política que ameaça o Afeganistão: a disputa pelos resultados das eleições presidenciais de junho nas quais os dois candidatos consideram-se vencedores, Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani, com os quais o chefe da diplomacia dos Estados Unidos pretende encontrar-se.

Kerry “discutirá a transição política em andamento, destacando a mensagem do presidente (Barack Obama) que esperamos uma revisão exaustiva de todas as acusações razoáveis de fraude e que não aceitaremos nenhuma medida inconstitucional”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Jeff Rathke, ao confirmar a viagem ao Afeganistão.

Abdullah não reconheceu a vitória de seu oponente Ghani nas eleições de 14 de junho, promulgada pela Comissão Eleitoral do Afeganistão (IEC) nesta segunda-feira, e anunciou sua intenção de formar um “governo legítimo” depois de acusar seu rival e Karzai de praticarem uma fraude generalizada nas eleições.

A chegada de Kerry a Cabul –que foi especulada, mas apenas confirmada até a aterrissagem de seu avião procedente de Pequim- durante a madrugada local na sexta-feira é mais uma demonstração de preocupação em Washington, diante da nova crise que ameaça dificultar ainda mais o processo de transição no Afeganistão e a retirada das tropas da OTAN no final do ano.

O próprio Obama conversou esta semana com os dois candidatos presidenciais, aos quais pediu a “calma” e o “diálogo político”. Além disso, deixou claro que os “EUA esperam uma revisão exaustiva” das acusações de fraude para garantir um processo eleitoral “confiável” e pediu que trabalhassem juntos para conseguir uma solução que “represente a vontade dos afegãos e permita a criação de um governo que possa unir o Afeganistão”, segundo a Casa Branca.

O presidente ameaçou inclusive suspender a ajuda norte-americana ao Afeganistão se algum dos candidatos recorrerem a medidas “violentas ou inconstitucionais”.

Agora Kerry transmitirá esta mensagem pessoalmente tanto aos candidatos como a Karzai, com quem Washington tem mantido uma tensa relação nos últimos tempos por sua recusa em assinar um pacto de segurança bilateral que regularia a presença militar norte-americana, uma vez que as tropas internacionais sejam retiradas no final do ano.

Seu porta-voz destacou que os Estados Unidos “não apoiam nenhum candidato” concreto, mas que seu objetivo é respaldar um processo “confiável, transparente e inclusivo” que permita a posse de um presidente que governe de forma “eficiente”.

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