“Alfredo foi a revolução”

Colegas, rivais, jogadores e técnicos recordam o futebolista, o treinador e a pessoa

A primeira aparição de Di Stéfano no Barça contra o Olympique de Lyon, em 10 de setembro de 1964.
A primeira aparição de Di Stéfano no Barça contra o Olympique de Lyon, em 10 de setembro de 1964.Central Press (Getty Images)

"Um vencedor nato", "um líder inspirador", "o Pelé branco" ... Di Stéfano recebe elogios tanto de quem jogou ao seu lado, como de quem jogou contra, de quem o conheceu como treinador e daqueles que simplesmente o reconhecem como um lenda do futebol.

- Johan Cruyff: "Ele era o meu ídolo". "Era o meu ídolo de infância. Vi-o jogar em Amsterdã com o Madrid. Era o melhor, jogava sempre para o time. Jogamos uma vez juntos em um amistoso em Paris. Foi um dia muito especial para mim".

- Luis Suárez: "Dizia-me: 'Vem para o Madrid".

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"Um vencedor nato. Fez uma reviravolta no Madrid e transformou-o num grande time. Alfredo foi a revolução. Como rival sempre foi leal. E, como colega de seleção, um líder. Na minha estreia com a Espanha, contra a Holanda em 1957, o técnico Meana me colocou de titular junto com oito do Madrid, no lugar de Rial, de Bernabéu, enquanto eu era um rapazote do Barça. As pessoas não gostaram, mas Alfredo me apoiou. 'Não é nada, galego', disse-me, 'jogue como souber'. Depois, quando de minha polêmica no Barça com Kubala, ele me dizia: 'Venha para o Madrid".

- Bobby Charlton: "Um controle absoluto sobre o jogo". "Era o melhor do mundo.

Que talento incrível! Era um líder inspirador, ele exalava coragem. O que mais me impressionava era a forma como influenciava a partida, exercia o controle absoluto sobre o jogo. Você olhava e se perguntava como era possível parar aquele homem. Tinha sido abençoado com talento e ainda assim sempre foi um cavalheiro".

- Eusébio: "Eu guardo sua camisa". "No final da Copa da Europa de 1962 trocamos as camisas. Foi a maior satisfação da minha vida. Guardo em casa com grande carinho".

- Just Fontaine: "Seu ponto fraco? Adora patê?". "Se tivesse jogado algumas Copas, teria sido o Pelé branco Um atleta completo: rápido, técnico, cabeceador, goleador, organizador e chefe respeitado. Um ponto fraco? Sim, sei porque ele foi com sua esposa a minha casa: adorava patê. Em sua homenagem eu trouxe duas caixas".

- Antoni Ramallets "Se você descuidava, arrancava o seu bigode". "Eu o conheci quando ele veio para o Barcelona em 1953. Estava inquieto porque chegou pensando que sua transferência para o Barça estava feita. Depois foi para o Madrid e, numa partida, me disse: 'Che, se você pretende continuar defendendo todas, me fale'. Levei muitos gols dele. Se você se descuidava, ele arrancava o seu bigode".

- Rodilla: "Tirava nosso dinheiro no jogo de tabuleiro". "Gabo-me de ter tido Kubala como treinador e Di Stéfano como colega na mesma temporada no Espanyol. Kubala tinha de enganá-lo para não treinar tanto. Nas viagens de trem jogávamos ludo e era tão bom quanto no campo: a partida era difícil, e tirava nosso dinheiro. "

- Amadeo Carrizo, "Ninguém controlou a bola como ele".

"O povo enchia o estádio para nos ver na Terceira com o River e, em seguida, começavam a chamar pela Seta loira. Como jogador, ninguém controlou a bola como ele".

- Iríbar: "Estreei contra ele. E, claro, me marcou".. "Estreei em San Mamés contra ele. E, claro, me marcou um gol. Ele indicava por onde tinha que atacar. Pelé era outro como ele. É um homem divertidíssimo, com uma grande memória e um monte de histórias. Conta coisas como só um argentino sabe contar".

- Cesare Maldini: "Um dos primeiros jogadores modernos"

Lembro-me da final da Copa da Europa que perdemos com o Milan contra Madrid em 1958. Na noite da partida fomos passear e nos encontramos com os jogadores do Madrid, que acabavam de celebrar o título. Alfredo sempre me dizia que estava apaixonado pelo Madrid. Alguns anos atrás eu o revi. Caminhava bem lentamente, mas não tinha perdido a velocidade mental. Continuava tão inteligente como há 50 anos. Foi um dos primeiros jogadores modernos. Não era um 9, mas sim um jogador de campo inteiro".

- Gianni Rivera: "Nos deixou loucos". "O Madrid nos eliminou nas quartas de final da Copa da Europa de 1964. O treinador cometeu um grande erro tático: sabiam que Di Stéfano voltava a cobrir e ajudar o meio-campo e escolheram um meio-campista para marcá-lo. Alfredo era muito esperto: não se mexeu da área e nos deixou com um meia a menos. Nos deixou loucos".

- Joaquin Peiró, "Um gol histórico de calcanhar". "Ele marcou uma pauta que ninguém poderia seguir. Maradona, Cruyff, Charlton? O número um é Di Stéfano. No Atlético tínhamos um time muito bom, mas eles tinham Alfredo. Lembro-me de um gol histórico de calcanhar em Chamartín".

- Enrique Collar: "Era impossível detê-lo". "Fazia o que queria. Era impossível pará-lo. Era tão bom que valia para qualquer posição. Certa vez eu disse a ele que só faltava jogar de goleiro e ele me respondeu: 'Mas já fiz isso no River, um vez que expulsaram o goleiro!".

- Mario Kempes: "Como um treinador era duro". "Quando se irritava, falava conosco em lunfardo e os espanhóis do Valencia pediam para os argentinos traduzirem. Como treinador, era duro, trabalhador, com treinos antigos. Depois foi meu técnico no River e gostava de participar nas peladas. Quando a bola chegava até ele, atropelava quem tentasse tomala. Até que um dia Passarella acertou-lhe um chute e não quis jogar mais".

- Claramunt: "Ele odiava perder". "Como sabia tudo de futebol e achava tudo tão fácil, queria que nós víssemos do mesmo jeito. Tinha uma personalidade muito forte. E como tinha tanta qualidade, adorava jogar pelada com os jogadores num campo de terra atrás de Mestalla: sempre me escolhia para ganhar, porque odiava perder".

- Fidel Uriarte: "Sigue-me e aprenda". "Era muito jovem quando joguei contra o Espanyol o treinador disse-me para marcar Alfredo e me pôs para segui-lo como um cão. Aos cinco minutos, Di Stefano me disse: 'Rapaz, você vai me marcar o jogo todo?'. 'Foi o que o treinador mandou', respondi. 'Então, siga-me e aprenda."

- Santamaría: "Diante de um 'grande', parava de fumar". "Nunca tinha o empate na cabeça. Quinze dias antes de jogar uma grande partida contra o Barça e Atlético, parava de beber e fumar. Concentrava-se e exigia muito de si mesmo. Os outros o viam e imitavam. Eu dizia: 'Você não é o melhor, mas sim o mais completo".

- Butragueño: "Começa a lenda do Madrid". "A grande história do Madrid começa com ele. Sua chegada inicia a lenda o Madrid. Essa herança tem dois nomes: Bernabéu no escritório e Di Stéfano no campo. Foi o treinador que me deu a oportunidade de estrear. Falou para eu me aquecer e disse: 'Jogue atrás de Santillana e mexa-se'. É muito afetuoso, com uma sabedoria natural frases profundas e curtas".

- Michel: "Sempre se sentiu jogador". "Foi meu treinador. Era um técnico muito perto do futebolista, porque sempre se sentiu jogador. subiu para o primeiro time todos da quinta do Abutre, menos a mim. E sempre me dizia: 'Você sabe que fui eu que te deixei embaixo, por isso te amo mais".

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