Crise na Ucrânia

Moscou responde com ameaças ao fim da trégua unilateral no leste da Ucrânia

Putin adverte Kiev de que "pagará por seus crimes contra a população civil"

Vladimir Putin diz que defenderá os russos na Ucrânia.(reuters_live)

Das palavras aos fatos: poucas horas depois de o presidente Petro Poroshenko ter enterrado o cessar-fogo unilateral decretado 12 dias antes, as forças da Ucrânia retomaram nesta terça-feira as operações para esmagar os rebeldes nas zonas orientais do país. Assim o confirmou Alexandr Turchínov, o chefe do Parlamento, que garantiu que as tropas ucranianas lançaram nesta terça-feira "ataques contra as bases e postos fortificados" dos separatistas, enquanto a Rússia exigia que Kiev não bombardeasse as cidades e lhe advertia que “deverá pagar pelos crimes contra a população civil” se não implementar “um cessar-fogo real”.

Em um encontro com os embaixadores credenciados em Moscou, o presidente Vladimir Putin anunciou que defenderá os interesses dos russos étnicos no exterior, apesar da revogação, na semana passada e a pedido seu, da ordem que lhe permitia usar suas tropas na Ucrânia. Também empurrou a Poroshenko "toda a responsabilidade" pela retomada da ofensiva bélica. "Até agora, Petro Alexéievich (Poroshenko) não tinha uma relação direta com as ordens para empreender ações militares. Agora assumiu toda a responsabilidade, não apenas a militar, mas também a política, que é mais importante", disse Putin.

O chefe do Kremlin lamentou que os esforços diplomáticos de Rússia, França e Alemanha não puderam "convencer (Poroshenko) de que o caminho para uma paz segura, sólida e duradoura não pode passar pela guerra".

Também reconheceu que as relações com Washington pioraram, mas “não por culpa da Rússia”. Segundo o presidente russo, os Estados Unidos ignoram os interesses de Moscou e tentam impor sua vontade de forma unilateral, falando em "tom de mentor e de ultimato". O líder russo reafirmou sua disposição de dialogar com a Casa Branca, "mas somente em pé de igualdade".

Apesar dos esforços de alguns países europeus — França e Alemanha à frente — e da Rússia para conseguir uma prorrogação do cessar-fogo, Poroshenko rejeitou prorrogá-lo e anunciou, na noite da segunda-feira, a retomada da ofensiva contra os rebeldes. A decisão contrária ao que havia sido negociado por telefone entre o presidente ucraniano, o russo Vladimir Putin, o francês François Hollande e a chanceler alemã Angela Mekel, foi tomada pelo presidente ucraniano devido, segundo alguns analistas, às pressões nacionalistas internas. Diversos grupos haviam exigido por carta que Poroshenko pusesse fim à trégua e entregasse armas aos voluntários dispostos a marchar ao leste da Ucrânia.

As manobras na fronteira entre Rússia e Ucrânia foram retomadas.(reuters_live)

"Vamos avançar e vamos libertar nossa terra", afirmou Poroshenko na mensagem à nação da segunda-feira à noite, quando deu a conhecer sua decisão de retomar o que Kiev chama de "operação antiterrorista". Poroshenko disse que a "grande oportunidade de dar vida ao plano de paz" foi desperdiçada devido a que, segundo ele, "a direção política dos separatistas mostrou sua falta de desejo ou sua incapacidade de controlar suas unidades terroristas".

A Rússia, entretanto, considera que houve pressões estrangeiras. Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores diz que “dá a impressão de que Kiev reconsiderou sua posição […] não sem influência externa e contra as posições dos líderes da União Europeia”. Apesar de Moscou não ter especificado a quem se referia, na semana passada o ministro Serguei Lavrov havia denunciado que os Estados Unidos continuavam empurrando a Ucrânia à confrontação com a Rússia.

Enquanto isso, nas proximidades de Donetsk, tropas governamentais ucranianas lançavam intensos combates contra os rebeldes pró-russos. A agência local Ostrov informou a respeito de choques armados em Marinka e Kárlovka, a cerca de 20 quilômetros a leste de Donetsk. Arsén Avákov, ministro do Interior ucraniano, garantiu, por sua parte, que os insurgentes haviam atacado a delegação regional do Ministério do Interior em Donetsk, com o saldo de ao menos um policial morto e vários feridos, alguns deles com gravidade.

Na província de Lugansk, a outra zona onde os separatistas proclamaram, como em Donesrk, uma República Popular, dois jornalistas do canal russo REB TV foram feridos perto do povoado de Izvarino, depois da explosão de um projétil, provavelmente um morteiro. Na noite de domingo morreram dois jornalistas russos nessa zona, elevando a quatro o número de repórteres mortos no conflito (cinco, se for incluído o intérprete de um deles).

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