Ofensiva jihadista

Os jihadistas garantem ter o controle da maior refinaria de petróleo do Iraque

John Kerry se reúne com o presidente do Curdistão iraquiano depois de encontro com Al Maliki

Cortes de petróleo no Iraque. (reuters_live)

Os jihadistas garantem que tomaram o controle total da maior refinaria de petróleo do Iraque, em Baiji, ao norte de Bagdá. As informações são confusas. Uma “fonte confiável” assegurou ao jornalista da BBC Richard Galpin que há aproximadamente 160 milicianos no interior da refinaria, enquanto o jornalista CJ Chivers, do NY Times, que acompanha a John Kerry em sua viagem pelo país, declarou que os combates nas imediações da refinaria continuam. A agência France Presse afirma que há pelo menos 19 mortos. A usina estava situada pelos rebeldes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) havia 10 dias, segundo a BBC. Enquanto isso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, começa sua segunda rodada de encontros com autoridades curdas em Erbill, capital do Curdistão iraquiano. Depois de reunir-se com o primeiro-ministro Nuri Al Maliki, em Bagdá, Kerry foi dialogar com o presidente curdo, Masud Barzani. “Estamos diante de um novo Iraque e encaramos uma nova realidade”, disse Barzani durante o encontro. “A culpa [do avanço jihadista] é do presidente Al Maliki”, disse Barzani nesta terça-feira, ao canal de televisão norte-americana CNN.

Nas últimas duas semanas, os insurgentes sunitas invadiram uma faixa de território no norte do país – cinco províncias –, incluindo a segunda mais importante, Mosul, e tomaram o controle das fronteiras com a Síria e a Jordânia. A refinaria de Baiji, na província de Saladino, fornece um terço do combustível refinado do Iraque e a batalha com os jihadistas, que a mantém sitiada desde o começo deste mês, causou o racionamento de gasolina em todo norte do país. Segundo a ONU, mais de mil civis morreram desde o começo do mês e outros tantos ficaram feridos.

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Um porta-voz do EIIL afirmou que o controle da refinaria será entregue às tribos locais para que elas se encarreguem de sua administração e que o avanço dos jihadistas até Bagdá vai continuar. Os estrangeiros que trabalhavam na cidade foram retirados na semana passada diante da suspeita das forças de segurança iraquianas de que a refinaria de petróleo era um dos alvos do grupo islamista.

O Secretário de Estado norte-americano prometeu manter um “apoio intenso e sustentável” ao Iraque depois de encontrar-se na segunda-feira com vários políticos de Bagdá. Kerry disse que os ataques por parte do EIIL são uma ameaça para a existência do Iraque e que os próximos dias e semanas “serão cruciais”. Na segunda ele reuniu-se com o primeiro ministro iraquiano, Nuri al Maliki, e manteve conversas com dirigentes-chave do país, tantos sunitas quanto xiitas, com intenção de fomentar um Governo de unidade entre as diferentes facções religiosas e étnicas que caracterizam o país (sunitas, xiitas e curdos). “O Iraque desmoronou-se e é óbvio que o Governo federal ou central perdeu o controle de absolutamente tudo”, insistiu nesta terça-feira o líder curdo.

De fato, no sistema iraquiano um curdo ocupava tradicionalmente a presidência, um árabe xiita era o primeiro ministro e um sunita era o porta-voz do Parlamento.

Kerry e o presidente do Curdistão iraquiano. (reuters_live)