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Dilma promete mais mudanças ao lançar-se à reeleição

O tom combativo, porém equilibrado, com direito a alfinetadas futebolísticas, marcou a convenção nacional do PT em que a presidenta foi confirmada na disputa de outubro

Rousseff recebe o apoio de Lula durante a convenção do PT.
Rousseff recebe o apoio de Lula durante a convenção do PT. REUTERS

O Partido dos Trabalhadores realizou, neste sábado, uma convenção nacional em Brasília, na qual oficializou a candidatura de Dilma Rousseff às eleições presidenciais de outubro. A atual governante do Brasil, cuja popularidade anda sofrendo quedas segundo as pesquisas mais recentes, encarará as urnas novamente ao lado do vice-presidente Michel Temer (PMDB), sob a promessa de mais mudanças.

O encontro reuniu os dirigentes e as principais figuras do partido e também da atual coligação do Governo. Os gritos de “Um, dois, três... Dilma outra vez!” se impuseram, já de entrada, à preferência de certa ala do PT por Lula na disputa por uma quarta administração petista consecutiva.

Logo depois da votação em que os presentes confirmaram, com mãos alçadas, a escolha de Dilma Rousseff, a presidenta falou sobre a “construção de mais futuro” e “mudar com continuidade”. Sua estratégia, conforme esperado, foi destacar programas governamentais, como o PAC, o Bolsa Família, o Mais Médicos e o Ciência sem Fronteiras, que estão por trás de algumas estatísticas de crescimento do país que a presidenta fez questão de citar – assim como “os enormes desafios” de uma campanha que, segundo se espera, será a mais difícil de todas.

No início, ela manteve um papel na mão para guiar os agradecimentos e os destaques de sua intervenção. Logo, se desprendeu um pouco mais na postura e nas palavras e chegou a afirmar, atacando os críticos ao seu Governo e adiantando os rumos de um possível novo mandato, que não foi eleita "para vender patrimônio público, nem para mendigar dinheiro para o FMI, porque não preciso”. Entre os projetos a futuro reforçados pela candidata, amparados por “solidez econômica” e “amplitude de políticas sociais” para alcançar “o ingresso decisivo do Brasil na sociedade do desenvolvimento”, foi ressaltado o Plano de Transformação Nacional – que deverá passar pela reforma política, com “maior participação popular e um plebiscito para votar os caminhos políticos do país”.

Ao final, Dilma descreveu Lula, que se pronunciou antes, como “um gigante” e voltou a afirmar que é um desafio sucedê-lo na administração do país. Pediu, claro, “mais quatro anos" e "o apoio do povo brasileiro” e, para aqueles que esperavam alguma declaração sobre as vaias e xingamentos que ecoaram pelo Itaquerão na abertura da Copa, se limitou a dizer que nunca fez política com ódio. “Não insulto, mas não me dobro”. E, para não terminar com “baixo astral”, citou um certo “fermento da alegria” e quis deixar claro que “a Copa está dando uma goleada monumental nos pessimistas”.

Coadjuvantes

De microfone na mão e andando de um lado ao outro, Lula despertou as reações mais calorosas da convenção ao proferir suas palavras – sem a ajuda de anotações e mesmo sem ‘script’ aparente. Sua fala, além de servir para prestar apoio incondicional à candidata, que ele definiu como a mais preparada para a “mudança” vislumbrada pelo PT, deu o tom combativo, porém equilibrado, que marcou a convenção. “Nunca haverá divergência entre Dilma e eu. E, se tiver, a Dilma terá sempre razão”, esclareceu o ex-presidente, que, em uma fala calorosa e direta, logo abordou as críticas contra a gestão petista, o suposto pessimismo que circunda a realização da Copa do Mundo no país e os desafios que enfrentarão os militantes do partido até outubro.

Além da preparação para o Mundial, temas espinhosos como os polêmicos xingamentos à presidenta no jogo de abertura do Brasil contra a Croácia, a corrupção e as “mudanças que os governos anteriores não foram capazes de fazer” permearam o discurso mais enfático do evento. Lula ainda encontrou ganchos para divertir a plateia, especialmente recorrendo ao futebol. “Falaram mal dos estádios da Copa, que ia ficar tudo ruim. Mas vejam a Inglaterra... Ela perdeu, porque não estava acostumada a jugar em campos de tamanha qualidade”, alfinetou. E: “Vocês viram a Costa Rica?”.

Tanto Lula, como outros discursantes, frisaram que essas eleições serão as mais difíceis para o PT ­– “talvez sui generis”, acrescentou o ex-presidente.

Rui Falcão, presidente do PT, foi quem abriu a cerimônia criando o contexto de mudança com continuidade, que deverá permear também a campanha vindoura. Falou de Lula como “a maior liderança que o povo brasileiro já ajudou a surgir”, adiantando que o ex-presidente circulará pelo país para “trazer de volta o entusiasmo da campanha de 1989” – quando o ex-metalúrgico quase venceu as primeiras eleições diretas depois da ditadura militar – e lutar contra “aqueles que se apresentam como uma terceira via, mas que se conciliam com interesses neoliberais”.

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