Maduro ataca o ministro que questionou a sua “falta de liderança”

O presidente venezuelano afirmou que “não há desculpa para a traição” de Giordani sem mencioná-lo diretamente

Nicolás Maduro durante uma apresentação na Bolívia.
Nicolás Maduro durante uma apresentação na Bolívia.

O Governo de Nicolás Maduro contestou as críticas do histórico ex-ministro de planejamento Jorge Giordani depois de sua saída, esta semana, do Gabinete. O presidente venezuelano se referiu a ele, sem mencioná-lo, na noite de quarta-feira durante o juramento de seu substituto, Ricardo Menéndez, fazendo rodeios genéricos sobre a lealdade que deveria guiar o comportamento da militância chavista. “Há companheiros que preferem refugiar-se na retaguarda da retaguarda e serem os cronistas do fracasso. Não há desculpa para a traição de ninguém ao projeto revolucionário”, disse em um ato celebrado no palácio presidencial de Miraflores.

Havia muita expectativa por conhecer a reação do presidente, de quem Giordani ressaltou, em um texto publicado no portal chavista Aporrea, sua “falta de liderança” e a ausência de um programa fiscal ajustado à visão frugal do socialismo. Entre os leitores ficou a sensação de que Maduro está enfrentando a primeira crise de grande dimensão dentro das forças que o apoiam. E assim foi. A cúpula do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) respondeu ao desafio apresentado, no que o diário El Nacional chamou de “o efeito Giordani”, com um giro de seus altos dirigentes pelas províncias, com o objetivo de recordar a importância de permanecerem unidos em torno do sucessor de Hugo Chávez. Assim se expressou Jorge Rodríguez, um dos líderes do partido e prefeito do município Libertador (centro-oeste de Caracas), em uma assembleia no Estado de Cojedes, no centro do país: “Surgem novos combates e alguns dissabores, mas enquanto nos mantivermos unidos e pensarmos nesse homem que olhou além de sua dor, podemos dizer que podem vir todas as batalhas.” Foi uma alusão ao último comparecimento de Chávez em público, em 8 de dezembro de 2012, pouco antes de viajar a Cuba para ser operado pela quarta vez do câncer de que padecia. Naquela ocasião o caudilho pedia unidade a seus seguidores e o apoio sem reservas para Maduro.

As críticas de Giordani, um dos homens duros da era chavista, não anunciam uma divisão das forças bolivarianas, mas representam, sim, um desafio para medir a liderança de Maduro no próximo congresso do partido, no final de julho, do qual sairão as novas autoridades da legenda. A mensagem parece clara: criticar e debater, antes da reunião, sobre as múltiplas e opostas maneiras de construir o socialismo chavista, mas com lealdade às autoridades. Para isso o PSUV confiou às denominadas Unidades de Batalha Hugo Chávez, suas brigadas de catequização, a incumbência de levar a mensagem de Maduro às bases. A primeira delas está clara. Giordani teve méritos para ser incluído na longa lista de traidores –encabeçada pelo mentor político de Chávez, Luis Miquilena— elaborada pela nomenclatura governista.