UMA FINAL PARA LA ROJA

As 10 melhorias da Espanha

Para vencer o Chile, no Maracanã, a seleção de Del Bosque precisa recuperar as essências: controle e precisão no passe

Além da mudança da geração de jogadores, inevitável na vitória ou na derrota, a Espanha precisa recuperar algumas de suas principais virtudes para vencer o Chile no Maracanã e esquecer o pesadelo do segundo tempo contra a Holanda. Estes seriam alguns dos pontos em que o treinador Vicente del Bosque teria trabalhado para que a Roja volte a se parecer consigo mesma:

1) A precisão do passe. Há seis anos, o jogo da Espanha fluiu a partir da qualidade técnica dos passes, tanto pela quantidade quanto pela qualidade deles. Contra a Holanda, no entanto, Iniesta, David Silva e Xabi Alonso, três virtuosos, perderam a bola 35 vezes. E algo surpreendente: a Itália acertou mais passes que a Espanha na primeira rodada. É prioritário que os garotos de Del Bosque voltem a sentir-se cômodos com a posse de bola.

2) Jogar mais nos espaços vazios. No jogo de troca de passes da Espanha são imprescindíveis os jogadores rápidos que se desmarquem para receber passes em profundidade. Pedro, por sua veia explosiva, é o mais preparado para isso.

3) As subidas dos laterais. Na Eurocopa passada, disputada na Ucrânia e na Polônia, Jordi Alba foi a sensação porque chegava como uma bala desde a defesa e rompia todas as marcações dos zagueiros rivais. Contra a Holanda, nem ele nem Azpilicueta tiveram essa capacidade de ser o elemento-surpresa. Juanfran seria uma opção.

4) A onipresença dos volantes. No suposto domínio da Espanha, com pressão no campo do adversário, os volantes (Busquets e Xabi Alonso) precisam ocupar mais os espaços, de tal forma que interrompam sempre a tempo os contra-ataques dos rivais. Evitar passes como os de Sneijder nas costas da defesa espanhola na fatídica partida contra a Holanda.

5) A contundência dos zagueiros. A dupla de zaga mais consolidada (Sergio Ramos e Piqué) deve ser muito mais eficaz e rápida contra atacantes tão habilidosos como Alexis e Eduardo Vargas do que foi diante de Robben e Van Persie. Javi Martínez, acostumado a jogar como zagueiro no Bayern, está pedindo passagem.

6) A confiança no goleiro. Casillas foi o melhor goleiro do mundo na última década. Há poucas dúvidas a respeito. Mas ele entrou inesperadamente em declínio após sofrer o terceiro gol holandês, precedido por uma falta clamorosa no pulo de Van Persie. Ali, abriram-se as cicatrizes de seu pouco ritmo de jogos nos últimos dois anos. Espera-se que o capitão recorra a seu próprio orgulho ferido para voltar a ser o que sempre foi: um gênio sob as traves.

7) O gol. A Espanha não se caracterizou por ter uma veia goleadora nos últimos grandes torneios. Aproveitou ao máximo seus acertos, mas sempre teve muitas chances para marcar. Com um centroavante (Diego Costa ou Villa, é uma dúvida de Del Bosque), ou sem (com as chegadas de Cesc desde a segunda linha), a Roja deve encontrar caminhos até o gol de Bravo.

8) O acerto nas substituições. Del Bosque esteve tocado por uma varinha mágica nas substituições que fez, tanto na Copa do Mundo da África do Sul, quanto na Eurocopa de Polônia e Ucrânia. O jogo contra o Chile demandará uma leitura precisa do momento adequado. O olho clínico do treinador.

9) A calma nos momentos ruins. Superar a tensão de um jogo ao limite do abismo e diante de um rival tão aguerrido como o Chile. Manter a lucidez diante das dificuldades inevitáveis.

10) A aparição de Iniesta. Toda grande seleção precisa de um jogador acima dos demais. Iniesta foi este jogador para a Espanha, tanto em Johanesburgo quanto em Kiev. Parece mentira, mas ele já tem 30 anos. Ainda assim, está em plena forma e com muita experiência para ditar uma de suas últimas lições.