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Rússia corta o fornecimento de gás para a Ucrânia, segundo o Governo de Kiev

Gazprom exige pagamento adiantado por parte da Ucrânia

A medida foi tomada após o vencimento do prazo imposto para o pagamento de dívida

Estação de gás Sudzha, a 200 metros da fronteira com a Ucrânia. EFE/Reuters

A nova “guerra do gás”, que vinha se anunciando há alguns meses, começou: a partir das 10h locais desta segunda-feira (3h em Brasília), a empresa estatal russa Gazprom introduziu o regime de pré-pagamento para fornecer gás à Ucrânia, como já havia advertido ao país vizinho. Ou seja, enquanto a estatal ucraniana Naftogaz não pagar a dívida bilionária que tem pelo combustível já suprido, não receberá mais gás russo. O ministro de Energia ucraniano, Yuri Prodan, anunciou nesta segunda-feira que o fornecimento de gás já foi cortado, embora tenha garantido o abastecimento aos clientes europeus da Rússia, para quem o combustível segue através da Ucrânia, segundo informações da Reuters. Se não se chegar a um acordo relativamente rápido, a situação poderá atingir o abastecimento na Europa: cerca de 30% do gás consumido pela União Europeia depende do fornecimento que vem da Rússia, e metade disso passa por território ucraniano.

A dívida, segundo a Gazprom, chega a 4,45 bilhões de dólares

A dívida, segundo a Gazprom, chega ao equivalente a 4,45 bilhões de dólares: 1,45 bilhão correspondente aos últimos meses de 2013 e 3 bilhões relativos a abril e maio passados; do total, o Kremlin exigia o pagamento de pelo menos 1,95 bilhão de dólares para não cortar o gás. A Rússia vinha advertindo há vários meses sobre o problema que se aproximava, já que a Ucrânia se mostrava relutante em pagar. Depois que o presidente russo Vladimir Putin escreveu uma carta dirigida a líderes europeus, na qual alertava para os riscos que essa situação representava para o fornecimento de gás para o resto dos países do continente, foram feitas negociações com a participação da UE, em Bruxelas e em Kiev, onde se estenderam até o domingo, sem se chegar a resultado algum.

Na noite de domingo, o ministro de Energia ucraniano e o presidente da Naftogaz não conseguiram entrar em um acordo com o CEO da Gazprom, Alexey Miller, nas conversas que realizaram com a presença do comissário de Energia da UE, Günther Oettinger. O comissário afirmou, nesta segunda-feira, que a Ucrânia tem a intenção de cumprir com seus compromissos relativos ao transporte de gás até os países da União Europeia e se mostrou confiante em relação à vontade russa de seguir fornecendo gás ao bloco, noticiou a Reuters.

O problema é o preço, sobre o qual as partes não chegaram a um acordo. A Gazprom exigia 485 dólares por mil metros cúbicos de gás após ter anulado o desconto dado ao Governo do presidente deposto Viktor Yanukovich. Mas no decorrer das negociações, a empresa propôs um compromisso que implicava um desconto de 100 dólares, chegando a 385 dólares por mil metros cúbicos. A Naftogaz, que se negava a zerar a dívida até obter um acordo sobre um novo preço, dizia estar disposta a pagar 268 dólares. Ao final, chegou a propor 326 dólares por cada mil metros cúbicos, o que a Rússia rejeitou.

Ao anunciar a introdução do regime pré-pago para o fornecimento a Kiev, a Gazprom informou à Comissão Europeia que podem surgir problemas no suprimento do combustível que passa pelo território ucraniano e que está destinado aos países da UE, apesar de ter assegurado que fará todo o possível para que isso não ocorra. Em 1999, quando a Rússia fechou as torneiras, a Ucrânia preferiu ficar com parte do gás que transportava para o resto da Europa.

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