Jogo de sedução com os Estados Unidos

A presidenta Rousseff disse que Edward Snowden nunca solicitou asilo no Brasil e que as diferenças com o Governo norte americano estão sendo conversadas

A presidenta do Governo neste domingo no Rio.
A presidenta do Governo neste domingo no Rio. Silvia Izquierdo (AP)

Dezenas de chefes de Estados visitarão o Brasil durante a Copa do Mundo, um evento que não gira somente ao redor do futebol, mas também ajuda a fazer política.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por exemplo, já anunciou que estará no Brasil neste mês para prestigiar um dos jogos da seleção do seu país e que deve se reunir com a presidenta Dilma Rousseff. Um encontro ainda cheio de cuidados, depois do escândalo da espionagem dos computadores de Dilma pela Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA). A pauta da conversa serão as relações bilaterais e ainda mais um passo no ritual de reaproximação, para limpar ruídos nessa comunicação. "Estamos na fase de namoro ou até de noivado", disse a presidenta, que esclareceu que nunca recebeu de Edward Snowden, ex-analista da NSA, um pedido de asilo no Brasil.

Rousseff não esconde que ainda espera um sinal mais concreto de que ações de bisbilhotagem como essa, que provocaram um incidente diplomático, não voltarão a se repetir. Biden – um sedutor, segundo ela –, e a presidenta têm conversado em diversas ocasiões sobre o assunto. A última vez foi durante a posse da presidenta chilena Michele Bachelet.

Apesar do mal-estar, as relações em outras áreas se mantêm intactas. "Nunca deixamos de nos falar por isso", explicou a mandatária, que fez questão de esclarecer que não foi para os EUA no ano passado, embora o compromisso estivesse agendado, por uma decisão mútua, ou seja, dos dois Governos. Sobre o acordo Mercosul - União Europeia, representantes do Brasil têm claro que o processo de união para o livre comércio está "quase lá", uma vez que os principais pontos da pauta, sobre liberdade tarifária, já seriam consenso entre os países sul-americanos. Uma nova reunião do Mercosul acontecerá em julho, quando um dos temas centrais será a aproximação dos blocos.

Em julho, também, a presidenta tem marcada uma reunião dos BRICs, que anteriormente estava agendada para março. Os presidentes teriam pedido a mudança, possivelmente para coincidir com a Copa do Mundo. "Xi Jinping [presidente chinês] é um futebolista doente, [Vladimir] Putin também, [Jacob] Zuma também. Só não sei como é o colega indiano, mas eu também sou doente por futebol", brincou a mandatária.

Ao longo da conversa com jornalistas de veículos internacionais no Palácio da Alvorada, Rousseff não falou da Venezuela. Mas, dentro do seu Governo, a sensação é de 'dever cumprido' pelo papel que a chancelaria brasileira tem desempenhado para aproximar representantes de Maduro e seus opositores. A percepção interna é de que desde que começou o trabalho do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e de seus colegas da Colômbia e do Equador, para atuar em prol da paz no país vizinho, os conflitos nas ruas de Caracas teriam se reduzido sensivelmente, evitando as mortes de manifestantes inocentes.

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