No Rio, reivindicações por melhores salários e mensagens contra o evento

Motoristas e cobradores de ônibus acabaram se juntando aos estudantes e reivindicaram melhores salários, além dos professores de escolas públicas, também em greve

Manifestante queima álbum da Copa.
Manifestante queima álbum da Copa.C. Simon (AFP)

O que pretendia ser uma demonstração de força a quase um mês do início da Copa do Mundo acabou se tornando uma mobilização discreta de grupos que se opõem à organização do Mundial, professores em greve e um pequeno protesto da categoria de motoristas e cobradores de ônibus do Rio reivindicando salários mais altos. Ficaram distantes as imagens espetaculares dos protestos que inundaram a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 durante a Copa das Confederações do ano passado.

É verdade que a manifestação foi ganhando força durante a tarde da quinta-feira até alcançar 3.000 pessoas. Nas imediações da Estação Central do Brasil, a participação inicial parecia limitada a um pequeno grupo de jovens que protestavam contra a realização da Copa do Mundo, mas o protesto acabou ganhando mais força. Durante todo o tempo, os manifestantes marcharam em clima festivo pela Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio.

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Motoristas e cobradores de ônibus acabaram se juntando aos estudantes e reivindicaram melhores salários, além dos professores de escolas públicas, também em greve. Todos caminharam gritando "não vai ter Copa do Mundo", críticas à FIFA e outras frases em favor do aumento dos gastos públicos em saúde, educação e transporte público, as principais reivindicações desses movimentos desde junho de 2013. Em muitos cartazes era possível ler a frase "haverá luta durante a Copa". Muitos participantes acreditam que essas manifestações são apenas o pontapé inicial de um movimento que crescerá nas próximas semanas para atingir o seu clímax em 12 de junho, quando começa o Mundial. Grandes manifestações já foram convocadas para esse dia.

Os manifestantes caminharam pela artéria que une a emblemática Praça da Candelária à prefeitura da cidade, cercados por um imponente corpo policial, mas sem causar incidentes. "A repressão policial foi enorme e truculenta durante as manifestações no ano passado. Por isso as pessoas têm receios de se manifestar atualmente. Mas não somos poucos e veremos como este movimento irá aumentar durante as próximas semanas e durante a Copa", disse ao EL PAÍS o presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Cyro Garcia. Um grande grupo dos chamados Black Blocks comandou a caminhada em grande parte do percurso cantando frases contra os policiais militares e carregando um grande cartaz que dizia: "Corrupto bom, corrupto morto". Ao chegar às portas da prefeitura, os radicais provocaram os agentes até que a polícia reagiu jogando spray de pimenta. O incidente não tomou proporções maiores, enquanto que o resto dos manifestantes se retirava pacificamente.

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