A indignação pela tragédia em uma mina turca se volta contra o primeiro-ministro

As autoridades turcas sustentam que 120 trabalhadores seguem presos O acidente ocorreu durante uma mudança de turno e foi causado por uma falha elétrica Um grupo de manifestantes pede a demissão do primeiro-ministro Erdogan

Manifestantes são afastados com água.

A revolta dos moradores de Soma (Anatólia ocidental) eclodiu nesta terça-feira contra o Governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. A cidade registrou na terça-feira uma das maiores tragédias da mineração turca, com a morte de pelo menos 274 trabalhadores após uma explosão em uma galeria, segundo confirmou o Governo antes de decretar três dias de luto nacional.

Erdogan, que na quarta-feira viajou a Soma, na província de Manisa, anunciou que a tragédia será investigada até os mínimos detalhes. “Todas as medidas necessárias serão tomadas”, advertiu, depois de declarar que os acidentes trabalhistas são “normais”, mas que este “afetou a todos profundamente”.

Centenas de pessoas se reúnem no centro de coordenação de Soma à espera de notícias sobre seus familiares, já que outros 120 trabalhadores ainda permanecem presos no interior da mina, segundo disse o ministro da Energia, Taner Yildiz.

Grupos de manifestantes cercaram o carro oficial do chefe do Governo e distribuíram chutes enquanto pediam a demissão de Erdogan, que teve de abandonar o veículo e se refugiar em um estabelecimento comercial enquanto chegavam reforços policiais, segundo informou a agência Dogan.

Familiares dos trabalhadores esperam noticias na entrada da mina.
Familiares dos trabalhadores esperam noticias na entrada da mina.B. KILIC (AFP)

O acidente ocorreu a cerca de 200 metros de profundidade, ao ter início um incêndio depois de uma explosão em um transformador elétrico da mina de carvão. A principal causa das mortes foi a inalação de monóxido de carbono, o que, por sua vez, dificulta os trabalhos de resgate.

O incêndio foi registrado durante uma mudança de turno, daí o alto número de trabalhadores presentes na exploração da mina, segundo explicou um líder sindical local. Centenas deles conseguiram escapar, e mais de 70 foram salvos pelas equipes de resgate.

Perto das instalações da mina foi improvisado um novo cemitério para receber os corpos das vítimas do acidente. Alguns familiares choravam e rezavam por seus mortos enquanto outros cavavam novos túmulos para os corpos dos que ainda estavam por chegar.

A Turquia vive com uma grande comoção a tragédia mineira. As bandeiras foram hasteadas a meio-mastro, e das diversas regiões do país chegam gestos de apoio e solidariedade para as vítimas e seus familiares.

Em meio ao luto nacional surgiu um clamor de indignação social. Estudantes da Universidade de Ancara enfrentaram a polícia durante um protesto pela falta de medidas de segurança na mineração.

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Em Istambul, grupos de manifestantes se concentraram na praça de Taksim, isolada pela polícia, sob o lema “justiça para Soma”. Esse local foi cenário da onda de protestos contra Erdogan que teve início há um ano no parque próximo de Gezi.

A Turquia é um dos países com maior número de acidentes ligados à mineração, com mais de 3.000 mortos nos últimos 70 anos. Na mina de Soma, as condições de segurança para os trabalhadores eram péssimas e menores de idade eram utilizados.

Alp Gürkan, presidente da Soma Holding, uma das maiores empresas mineiras da Turquia, reconheceu recentemente que reduzia os custos de exploração graças à substituição de transformadores elétricos por outros produtos manufaturados em sua própria companhia.

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