Atlético 1 x 1 Málaga

A Liga mais maluca pede uma reunião na ‘final’ do Camp Nou

O Atlético empata com o Málaga e para ser campeão precisa de um empate, no próximo domingo, contra o Barcelona, que não passa do 0 a 0 em sua visita a Elche e agora precisa de uma vitória O Madrid despede-se do título com uma derrota em Vigo (2 a 0) Os três grandes desperdiçaram as suas oportunidades

Alderweireld marca de cabeça o gol do empate do Atlético
Alderweireld marca de cabeça o gol do empate do AtléticoALBERTO DI LOLLI / AFP

Uma tarde cardíaca, uma montanha-russa emocional, rendeu muitas emoções e deixou o título ainda a ser decidido. O Atlético ficou no empate com o Málaga e precisa de outro empate no próximo domingo, às 18.00, no Camp Nou, para ser campeão de La Liga, 18 anos depois; o Barcelona não passou do empate sem gols em Elche e precisa da vitória, em seu estádio, para levantar a coroa; e o Madrid despediu-se depois de cair por 2 a 0, em Vigo.

O Atlético deixou escapar pelos dedos a chance de ganhar a La Liga. Faltou um gol, e teve oportunidades para fazê-lo, especialmente em um chute com efeito de Adrián que Caballero defendeu, no último minuto. Está escrito que o time de Simeone, caso ganhe a Liga, o fará com o máximo de fidelidade à sua história, sofrendo e batalhando até o fim. Para agarrar a taça, os jogadores de Simeone precisam sair do estádio do Barça com um ponto que valorizará tanto esforço e sofrimento. Uma derrota valeria o sub-campeonato. Está no ar a sensação de que os rojiblancos tiveram o título nas mãos nas últimas duas semanas, mas agora precisam medir forças com o atual campeão na casa dele. Não conseguiram aproveitar essa reta final maluca de campeonato, na qual o Barça cedeu dois empates consecutivos (Getafe e Elche) e o Madrid caiu do cavalo, somando dois pontos em nove possíveis. Nenhum dos três grandes aproveitou as oportunidades nessa fase de uma Liga absurda.

ATLÉTICO 1 x 1 MÁLAGA

Atlético: Courtois; Juanfran, Miranda, Alderweireld, Filipe Luis; Koke (Adrián, min. 56), Tiago, Gabi, Arda (Diego, min. 70); Raúl García (Sosa, min. 63) e Villa. Não utilizados: Aranzubia, Giménez, Insua e Mario Suárez.

Málaga: Caballero; Eliseu, Angeleri, Weligton, Antunes; Camacho, Darder; Samuel (Juanmi, min. 83), Amrabat (Pawloski, min. 91), Duda; e Santa Cruz (Rescaldani, min. 76). Não utilizados: Kameni, Portillo, Iakovenko e Casado.

Goles: 1 x 0, min. 65, Samuel; 1 x 1. min. 74, Alderweireld.

Árbitro: José Antonio Tixeira Vitienes. Expulsou Angeleri (min. 87) por dois cartões amarelos. Advertiu Weligton, Arda, Eliseu, Tiago e Gabi.

Cerca de 50.000 torcedores no Vicente Calderón.

Os acontecimentos das últimas semanas geraram esse final completamente louco, no qual o Madrid reviveu o Barça, que colocou a Liga no colo do Atlético, que por sua vez continuou com o papel do seu vizinho ao manter as esperanças do time de Martino. O vencedor final vai sair desses 90 minutos de tudo ou nada no Camp Nou. Uma verdadeira final, cara a cara entre os dois únicos candidatos. Uma reunião única, em todos os aspectos possíveis, os estilos opostos, a trajetória de um e de outro no dia a dia e ao longo do campeonato, e como clímax final, a vitória ou o drama. Puro futebol.

Poderia ser um panorama pior para o Atlético se Alderweireld não tivesse completado um escanteio, a 15 minutos do fim, depois que Samuel gerou terror no Calderón ao colocar o Málaga à frente. Fez-se um desses silêncios frios, aliado dessa mudança meteórica do otimismo à decepção, que é representado na história das histórias pelo Maracanazo.

 Apareceu Simeone, como não, que até o momento havia se negado a jogar a carta do seu apelo popular. Guardava essa bala e a utilizou quando os seus jogadores mais necessitavam e até a sua própria torcida. Mais uma vez, consagrou-se como referência emocional. Todos se reuniram. Equipe e arquibancada empurraram e buscaram, depois do empate, o gol que nunca chegou. Faltou um palmo para Sosa, aos gritos de Luis Aragonés, Luis Aragonés, antes da execução da sua jogada favorita, uma cobrança de falta. Seria romântico e perfeito demais. Caballero também desviou um chute com efeito de AÐdrián que seria traduzido em uma história doce e eterna da sua tentativa de ressuscitar.

O Atlético teve que disputar uma partida angustiante para poder ir para Barcelona com essa vantagem de três pontos que lhe permite empatar. Em tudo, a equipe de Simeone foi reconhecível. Em encurralar o Málaga no começo, com escanteios e faltas laterais, e também ao ter problemas para perfurar uma equipe que cede muito campo. Até a fatalidade de Villa à frente do gol foi reconhecível. Teve a ocasião mais clara. Uma combinação rápida entre Miranda e Koke depois de um roubo de bola, um passe longo de Gabi, prolongado ainda mais por Raúl García e uma finalização violenta de Villa no travessão, diante da saída de Willy Caballero. Parece que a perda de gols acelerou a cabeça do asturiano, que sempre foi mais um iceberg que um vulcão. Contra o Levante, também perdeu uma oportunidade clara quando teve tempo para pensar.

O Atlético notou que o campeonato escapava das suas mãos, entre outras coisas, porque a bola recusava-se a entrar. Raúl García, depois de um cruzamento de Juanfran, errou uma dessas cabeçadas claras que tanto o ajudaram a ser titular. Koke também não acertou ao colocar bem a chuteira em outro cruzamento de Juanfran, nesta equipe que viu seus laterais jogando como pontas. O Málaga foi uma equipe que deu trabalho com Santa Cruz e Amrabat, dois atacantes que enlouquecem os zagueiros com um jogo de muita movimentação. No meio-campo, o Málaga também teve o combate físico e de posicionamento de Barber e Camacho e o violento ataque de Duda pela esquerda.

Foi Villa quem teve outra oportunidade. Pela esquerda, Caballero colocou a mão em um chute alto. Precisando da vitória, Simeone tirou Koke e colocou Adrián. Logo colocou Sosa e Diego no lugar de Raúl García e Arda e, como na semana anterior, essas mudanças ofensivas deram espaço para o contra-ataque. E eles aconteceram. Primeiro, um que colocou Santa Cruz diante de Courtois, que cumpriu o papel de goleiro milagreiro, tapando o chute com o corpo, e aliviando a arquibancada que pouco depois levaria um grande golpe. Courtois, Miranda e Alderweireld não se entenderam um lançamento, Samuel chutou a bola para cima e cabeceou. A pelota, mansa, acompanhou, em cada rodada lenta, o silêncio e a angústia que se apoderaram de uma torcida que começou a ver, justo com o título em jogo, esses episódios fatais que a atormentam. Simeone, o gol de Alderweireld e essa pressão no final significam que, se Atlético for campeão, será com toda fidelidade à sua história. No Camp Nou, joga-se uma final pelo título.