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Repsol vende de uma só vez a maior parte dos títulos argentinos recebidos pela YPF

Empresa vendeu todo o título Bonar 24 e embolsou 2,813 bilhões de dólares

O presidente de Repsol, Antonio Brufau
O presidente de Repsol, Antonio Brufau EFE

A Repsol fez caixa com a indenização argentina paga pela tomada da YPF. A petrolífera espanhola vendeu na sexta-feira ao J. P. Morgan a maioria dos títulos da dívida pública da Argentina recebida como compensação pela expropriação de 51% da YPF. A verdade é que a empresa de livrou dos títulos incluídos no Bonar 24, o bônus com valor nominal de 3,25 bilhões de dólares (7,7 bilhões de reais) emitido especificamente para pagar a indenização. A companhia embolsou 2,813 bilhões de dólares (6,2 bilhões de reais), um montante que não tem impacto nos resultados.

A empresa informou à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) que o fechamento da transação está previsto para 13 de maio e está sujeito ao cumprimento dos termos e condições usuais em operações dessa natureza. A Repsol não poderá vender os títulos argentinos restantes a terceiros por um período de sete dias, com algumas exceções.

A empresa presidida por Antonio Brufau conseguiu, com isso, reduzir drasticamente a sua exposição à dívida argentina. Também dissipam as dúvidas daqueles que acreditavam que a indenização em títulos argentinos era mais virtual do que real. Após essa operação, a Repsol ainda tem em sua carteira bônus (Bonar X, Bonar 33 e Boden 2015) com um valor nominal de cerca de 2,066 bilhões de dólares (4,6 bilhões de reais), embora, neste caso, o valor de mercado seja um pouco maior do que o nominal, já que um dos títulos tem juros capitalizados em 500 milhões de dólares. Isso sugere que a Repsol receberá, efetivamente, um valor próximo aos 5 bilhões de dólares acordados, ou 11 bilhões de reais. A dívida ficou reduzida a 2,184 bilhões de dólares (4,84 bilhões de reais) com esta primeira operação.

Além disso, o Bonar 24 era o único título que não estava cotado em bolsa e, portanto, se tratava de um bônus que os analistas viam com mais desconfiança. A Repsol garantiu na quinta-feira aos analistas que não tinha pressa para vender, mas que quanto mais cedo vendesse e quanto maior fosse o preço, melhor.

O bom desempenho no mercado de títulos reforçou a posição da Repsol, que também se cercou de todos os tipos de salvaguardas para garantir a indenização em uma árdua negociação com o Governo argentino.