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Os separatistas ucranianos confirmam o referendo mesmo com a pressão de Putin

O presidente russo havia sugerido ontem um adiamento da consulta para que pudesse ocorrer as necessárias condições de diálogo. A convocatória está prevista para domingo

Um homem prepara as cédulas para o referendo do próximo domingo em Donetsk.
Um homem prepara as cédulas para o referendo do próximo domingo em Donetsk. Getty

Os separatistas pró-russos asseguraram nesta quinta-feira que decidiram manter a convocação do referendo sobre o status quo das regiões do leste da Ucrânia, informou a agência de notícias russa Interfax. A decisão foi tomada por unanimidade —com 78 votos a favor— pela assembleia colegiada que lidera a autoproclamada República Popular de Donetsk. "O referendo será no dia 11 de maio. A decisão não é nossa [dos líderes rebeldes], senão do povo", afirmou Denis Pushilin, líder dos rebeldes da autoproclamada República, no leste da Ucrânia.

“Há milhões de pessoas que querem votar […]. A guerra civil já começou, a consulta pode pará-la e começar um processo político”, declarou um homem sem uniforme —mas com um fuzil Kalashnikov em mãos— que falava junto a Pushilin, informa a Reuters.

O anúncio dos pró-russos chega depois que o líder russo, Vladimir Putin, pediu na passada terça-feira aos federalistas e separatistas das regiões do Este, que enfrentam Kiev com as armas em mãos, que posterguem o referendo de autodeterminação previsto para o dia 11 de maio com o objetivo de que "se encontrem as condições necessárias de diálogo”.

"Apreciamos o apelo de Putin, mas não é ele quem toma a decisão, senão nós, os cidadãos de Donetsk", insistiram os separatistas. "Não há nada que negociar com Kiev, que já se retratou ontem [na quarta-feira] ao desqualificar de uma forma bastante pouco educada o apelo de Putin". Os rebeldes explicaram também que preveem uma escalada da violência em relação às celebrações do Dia da Victória de 9 de maio. "Com certeza esperamos atos de provocação e violência tanto no Dia da Vitória, como no domingo durante a jornada eleitoral; não nos surpreenderão, mas não por isso vamos cancelar umas celebrações [a de 9 de maio] que honram a luta e a memória de nossos avós".

Putin manifestou também que as eleições presidenciais de 25 de maio na Ucrânia são “um passo na direção correta” e apoiou assim pela primeira vez umas eleições para estabilizar a grave situação do país. As eleições “não resolvem nada se os cidadãos de ucranianos compreendem como se garantirão seus direitos após as celebrar”, disse o presidente russo, segundo o qual “o diálogo direto entre as autoridades de Kiev e os representantes do sudeste da Ucrânia é um elemento chave para a regulação” do conflito. “Condição obrigatória” para o começo deste diálogo, opinou, é a “cessação de toda a violência”.

As manifestações de Putin e seu apelo às “autoridades de Kiev” foram realizadas depois de se encontrar em Moscou com Didieer Burkhalter, o presidente da Suíça, país que dirige atualmente a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). No fim de semana passado, o chefe de imprensa do presidente, Dmitri Peskov, qualificou as eleições presidenciais ucranianas como “absurdas”.