Scolari convoca para a Copa uma das seleções mais estrangeiras do Brasil

Apenas quatro dos 23 convocados atuam em solo brasileiro. Times da Inglaterra emplacaram seis atletas, é a seleção brasileira mais "inglesa" em toda história do Mundial

Scolari durante a convocação da seleção.
Scolari durante a convocação da seleção.Felipe Dana (AP)

O Brasil disputa a Copa do Mundo em casa, mas aposta em uma de suas seleções mais “estrangeiras” de todos os tempos para conquistar o hexacampeonato. Apenas quatro dos 23 convocados atuam em clubes do país, segundo a lista anunciada nesta quarta-feira pelo técnico Luiz Felipe Scolari no Rio de Janeiro. São os goleiros Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro, além dos atacantes Fred (Fluminense) e Jô (Atlético Mineiro). Apenas nas últimas duas edições anteriores do Mundial –o Brasil foi o único a marcar presença em todas as 19– houve um número mais baixo de jogadores "caseiros".

Os convocados

Goleiros

Julio Cesar (Toronto - Canadá)

Jefferson (Botafogo - Brasil)

Victor (Atlético Mineiro - Brasil)

Zagueiros

Thiago Silva (Paris Saint Germain - França)

David Luiz (Chelsea - Inglaterra)

Dante (Bayern Munich - Alemanha)

Henrique (Napoli - Itália)

Laterais

Daniel Alves (Barcelona - Espanha)

Maicon (Roma - Itália)

Marcelo (Real Madrid - Espanha)

Maxwel (Paris Saint Germain - França)

Meio campistas

Oscar (Chelsea - Inglaterra)

Ramires (Chelsea - Inglaterra)

Willian (Chelsea - Inglaterra)

Paulinho (Tottenham - Inglaterra)

Fernandinho (Manchester City - Inglaterra)

Luiz Gustavo (Wolfsburg - Alemanha)

Hernanes (Inter de Milão - Itália)

Atacantes

Neymar (Barcelona - Espanha)

Fred (Fluminense - Brasil)

Hulk (Zenit - Rússia)

Bernard (Shaktar Donetstk - Ucrânia)

Jô (Atlético Mineiro - Brasil)

O treinador Scolari afirmou que sua opção se deve à fase de cada atleta. "São situações no futebol que obrigam o técnico a escolher jogadores que têm melhores condições lá fora do que alguns jogadores que atuam aqui [no Brasil]", afirmou. Veja a lista ao lado.

A Inglaterra é o país que mais cedeu atletas à seleção canarinha, com seis jogadores. Na sequência estão os clubes da Itália, com três jogadores, Espanha, França e Alemanha, com dois de cada país.

Em 2010, por exemplo, o então técnico Dunga levou três para o Mundial da África do Sul: o lateral-esquerdo Gilberto (então no Cruzeiro), o meia Kléberson (Flamengo) e o atacante Robinho (Santos). Quatro anos antes, o treinador Carlos Alberto Parreira também havia apostado em três “pratas da casa” para a Copa da Alemanha: o goleiro Rogério Ceni (São Paulo), o volante Mineiro (São Paulo) e o meia Ricardinho (Corinthians).

Um fato que chama a atenção é que sempre que levantou o caneco o Brasil tinha diversos atletas atuando em seus campeonatos. Em 2002, quando o próprio Felipão levantou o penta, eram 12 os atletas caseiros: o goleiro Marcos (Palmeiras), o meia Ricardinho (Corinthians), o volante Gilberto Silva (Atlético Mineiro), o lateral-direito Beletti (São Paulo), o zagueiro Anderson Polga (Grêmio), o meia Kléberson (Atlético Paranaense), o volante Vampeta (Corinthians), o meia Juninho Paulista (Flamengo), o atacante Edílson (Cruzeiro), o atacante Luizão (Corinthians), o goleiro Rogério Ceni (São Paulo) e o meia Kaká (São Paulo).

Em 1994, no tetracampeonato, eram 11 jogadores atuando em times brasileiros: os goleiros Zetti (São Paulo) e Gilmar (Flamengo); o zagueiro Ricardo Rocha (Vasco); os laterais Leonardo (São Paulo), Cafu (São Paulo) e Branco (Fluminense); os meios campistas Mazinho (Palmeiras), Zinho (Palmeiras) e os atacantes Muller (São Paulo), Ronaldo (Cruzeiro) e Viola (Corinthians).

Isso sem contar os três primeiros títulos, em 1958, 1962 e 1970, quando todos os atletas atuavam em solo brasileiro. Um dos que venceu duas copas, o ex-jogador Pepe é um dos críticos à falta de atletas brasileiros na lista. Para ele, a distância entre os torcedores e os atletas, que só são vistos pela TV, acaba prejudicando na identificação com o time. Ainda assim, ele acredita que o Brasil é o favorito e conseguirá ter o apoio que precisa em casa. "Estou confiante", disse.

Mas se o número de brasileiros atuando em clubes do país ainda é pequeno na Copa, o mesmo não pode ser dito de estrangeiros que jogam no futebol brasileiro. E o domínio é sul-americano. Só na seleção uruguaia devem garantir presença cinco: o lateral-esquerdo Álvaro Pereira (São Paulo), o zagueiro Victorino (Palmeiras), o volante Eguren (Palmeiras), o goleiro Martín Silva (Vasco da Gama) e o meia Lodeiro (Botafogo).

Já no Chile, as opções para o Mundial são três: o lateral-esquerdo Mena (Santos), o meia Aránguiz (Internacional) e o meia Valdivia (Palmeiras). O número de chilenos poderia ser ainda maior, não fosse a rescisão do zagueiro Marcos González com o Flamengo em março deste ano. Completam a lista de prováveis presenças na Copa do Mundo do Brasil o zagueiro equatoriano Erazo (Flamengo) e o volante colombiano Valencia (Fluminense).

A primeira divisão do Campeonato Brasileiro reúne em suas 20 equipes neste ano mais de 40 estrangeiros, um recorde. Nomes famosos como o holandês Seedorf (então no Botafogo) e o uruguaio Diego Forlán (Internacional) disputaram a última edição do torneio. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou em dezembro último, inclusive, o aumento do limite permitido de estrangeiros por equipe nas competições que organiza. Já neste ano um time pode contar com até cinco deles em uma mesma partida, ante os três permitidos antes.