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Scolari aposta na equipe que ganhou a Copa das Confederações

Lista oficial da seleção canarinho não traz surpresas e deixa de fora Miranda e Luis Felipe, que eram apostas pelo seu rendimento na Champions League

Scolari, durante o anúncio da convocação. Ampliar foto
Scolari, durante o anúncio da convocação. EFE

A lista definitiva de jogadores que o país anfitrião apresentará para tentar ganhar sua sexta Copa do Mundo não trouxe nenhuma grande novidade. Os rumores existentes na imprensa brasileira, de que ‘Felipão’ guardava alguma surpresa e incluiria alguma estrela veterana (como Robinho ou Kaká) para tirar pressão sobre o jovem estandarte da equipe, Neymar, não se confirmaram. A convocação mostra uma continuidade absoluta em relação à equipe que conquistou a Copa das Confederações em 2013 e que “ganhou um pouco de prestígio desde então”, como afirmou o próprio Scolari aos 876 jornalistas que acompanharam a coletiva de apresentação do time: “A base da equipe, ou 90%, será a que ganhou da Espanha [por 3x0] na final”. Ficam definitivamente descartadas as estrelas que protagonizaram o futebol brasileiro na última década, e que hoje estão em decadência (Kaká, Ronaldinho, Robinho ou Pato).

A lista de convocados

Goleiros: Julio Cesar (Toronto FC), Jefferson (Botafogo), Victor (Atlético Mineiro).

Defensores: Dani Alves (Barcelona), Maicon (Roma), David Luiz (Chelsea), Thiago Silva (PSG), Dante (Bayern Munich), Marcelo (Real Madrid), Maxwell (PSG), Henrique (Nápoles).

Meio-campistas: Oscar (Chelsea), Fernandinho (Manchester City), Willian (Chelsea), Paulinho (Tottenham), Ramires (Chelsea), Luis Gustavo (Wolfsburg), Hernanes (Inter Milán).

Atacantes: Neymar (Barcelona), Fred (Fluminense), Hulk (Zenit São Petersburgo), Jo (Atlético Mineiro), Bernard (Shakhtar Donetsk).

Os dois nomes que despontavam nas últimas semanas por seu magnífico rendimento no Atlético de Madri, líder da Liga espanhola e finalista da Champions League, o zagueiro Miranda e o lateral esquerdo Filipe Luis, vão assistir ao Mundial pela televisão: “Os que não foram convocados não foram convocados”, foi a curta resposta do técnico à pergunta concreta sobre a exclusão dos dois futebolistas, embora tenha admitido que teve dúvidas sobre a convocação do quarto zagueiro, “a eleição mais difícil”, que recaiu finalmente em Henrique, do Napoli, que sofreu um acidente de trânsito há duas semanas e era dúvida por este motivo.

A lista definitiva de convocados é a seguinte: goleiros (3): Julio Cesar (Toronto FC), Jefferson (Botafogo), Victor (Atlético Mineiro). Defensores (8): Dani Alves (Barcelona), Maicon (Roma), David Luiz (Chelsea), Thiago Silva (PSG), Dante (Bayern Munich), Marcelo (Real Madrid), Maxwell (PSG), Henrique (Nápoles). Meio-campistas (7): Oscar (Chelsea), Fernandinho (Manchester City), Willian (Chelsea), Paulinho (Tottenham), Ramires (Chelsea), Luis Gustavo (Wolfsburg), Hernanes (Inter de Milão). Atacantes (5): Neymar (Barcelona), Fred (Fluminense), Hulk (Zenit São Petersburgo), Jô (Atlético Mineiro), Bernard (Shakhtar Donetsk). O Brasil não fará uso das sete jogadores restantes (até um total de 30) que a FIFA permite pré-selecionar até o começo de junho: “Não me parece adequado chamar jogadores e depois dispensá-los”, explicou o já campeão do mundo em 2002.

“Muitos brasileiros gostarão da lista e muitos não”, prosseguiu o técnico, que pediu à torcida para que os 23 jogadores “sejam bem recebidos por todo mundo e juntos sigamos nosso norte, que é conquistar a Copa”. É certo que 90% dos eleitos jogam na Europa, fator que foi qualificado por Scolari como “mera coincidência” e não como um sintoma de “atraso” no futebol brasileiro, que em 2002 enviou ao Mundial da Coreia uma 12 de atletas que jogavam nos campeonatos nacionais. Felipão sim deu ênfase à inexperiência da maioria deles (17 de 23) em campeonatos mundiais e anunciou que a seleção estará constantemente acolhida por ex-campeões mundiais de diferentes gerações que vão ajudá-los a lidar com “o ambiente especial que tem uma Copa do Mundo”.

O discurso de Scolari, acolhido pelo seu ‘número dois’, o também campeão do mundo Carlos Alberto Parreira, e pela cúpula da federação, esteve centrado em evitar todo favoritismo, chamar à união do povo brasileiro e repetir que “a equipe mais importante neste momento é a Croácia”, rival no jogo inaugural: “Se perdermos, a dificuldade é enorme”. “O público começou a acreditar em nós ao ganhar as Confederações. Mostram a mesma empatia, podemos chegar ao final”, aposta. A sombra dos protestos sociais no país pôde ser sentida na porta do recinto, onde cerca de cinquenta agentes da Polícia Federal (encarregados de zelar pela segurança nos aeroportos, e que anunciaram greves durante o Mundial) reclamavam melhores salários e mudanças na política de segurança.

O técnico não deu importância à condição de reserva recente de alguns de seus jogadores na Europa (Oscar, Marcelo ou Paulinho, por exemplo) e afirmou que Oscar é “um dos melhores jogadores do mundo, acima de qualquer técnico”. “Só me preocupa equilibrar o aspecto físico, o técnico nunca se perde”, concluiu. Quanto à concentração da seleção na renovada Granja Comary (a uma hora da cidade do Rio de Janeiro) e a previsível pressão que deverão aguentar os jogadores, Felipão pediu “respeito” ao povo e aos políticos (em plena pré-campanha eleitoral): “Haverá visitas, mas organizadas […] Os que não gostarem e não cumprirem, terão a porta fechada”. O mesmo vale para a comunicação em redes sociais: “Os jogadores terão liberdade, sempre que não interfiram em nosso trabalho”.

Por último, Scolari se referiu à necessidade de proteger Neymar, de 22 anos, e fez questão de dizer que seu papel na seleção é diferente do que faz no Barcelona, “onde deve ser adaptado ao esquema de Martino”. “Aqui ele tem maior responsabilidade no contra-ataque e com a improvisação, ocupa outras zonas do campo, porque faz coisas que outros não sabem fazer”.

A CANARINHA, EM NÚMEROS

Scolari aposta na equipe que ganhou a Copa das Confederações

MUNDIAIS: 19

- Partidas jogadas: 97

- Vencidas: 67

- Perdidas: 15

- Empates: 15

- Gols a favor: 210

- Gols a contra: 88

TÍTULOS:

- Mundiais: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002

- Copa América: 1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007

- Copa das Confederações: 1997, 2005, 2009 e 2013

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