Alibaba prepara oferta de ações em Wall Street

O portal chinês espera levantar 1 bilhão de dólares com a oferta de ações, valor que poderá aumentar de acordo com o avanço do processo e segundo a demanda

A sede do Alibaba em Hangzhou, na província chinesa de Zhejiang.
A sede do Alibaba em Hangzhou, na província chinesa de Zhejiang.

O portal Alibaba acaba de iniciar o processo que o conduzirá a Wall Street. A empresa de Internet chinesa, fundada por Jack Ma, ao mesmo tempo um portal eletrônico como Amazon e o eBay, um sistema de pagamentos como o PayPal, uma plataforma social como o Twitter e o Facebook e uma grande geradora de tráfico na Internet, como Google e Netflix, entregou à agência reguladora dos Estados Unidos o calhamaço de documentos nos quais revela detalhes sobre o funcionamento de seu gigantesco negócio.

Os tentáculos do Alibaba alcançam quase tudo na Internet e isso está fazendo com que grandes empresas de tecnologia de Silicon Valley acompanhem seus passos bem de perto. Atualmente, é a força dominante da China, com 80% do comércio eletrônico no país. Jack Ma fundou o grupo há 15 anos e conta agora com uma estrutura de empresas centradas em consumo. É maior que a Amazon em número de transações e não necessita de uma estrutura física para movimentar os produtos.

A estreia na bolsa é uma maneira de acessar o mercado com maior liquidez do mundo. Com a operação, busca levantar 1 bilhão de dólares (2,2 bilhões de reais), muito menos do que se esperava em Wall Street, que apostava que a oferta superaria à do Facebook, que alcançou 16 bilhões de dólares (35,7 bilhões de reais). O mercado nova-iorquino também é uma vitrine maior para dar visibilidade ao seu negócio, porque o Alibaba continua sendo a grande desconhecida no mundo capitalista, apesar de seu tamanho e alcance.

A documentação entregue ao órgão regulador indica que nos nove primeiros meses de seu exercício fiscal, até dezembro, teve vendas de 5,66 bilhões de dólares (12,6 bilhões de reais) e um lucro líquido de 2,85 bilhões de dólares (6,3 bilhões de reais). A oferta de ações é coordenada pelo Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley e Citigroup. O valor estimado da oferta neste momento é muito preliminar e aumentará de acordo com o avanço do processo e segundo a demanda, com a qual acabe por alcançar os 20 bilhões de dólares (44,6 bilhões de reais) calculados pelos analistas.

Neste momento, o Alibaba não especifica as ações que vai colocar à venda nem seu valor. Nem tampouco há símbolo nem opta por um mercado, algo que deverá negociar com a Nasdaq e a New York Stock Exchange ao mesmo tempo em que apresenta os méritos do lançamento aos investidores institucionais e ao órgão regulador da bolsa. Uma das grandes beneficiadas com a operação será a Yahoo, que continua controlando 22,6% do portal chinês. O outro grande acionista é o Softbank, com uma participação de 34,4%.

O presidente controla 8,9% da sociedade chinesa. Ma, que fundou a empresa com 60.000 dólares (134,6 mil reais) no bolso de uma centena de investidores, sabe o que faz e conhece o poder da China no cenário mundial. O prospecto inicial contém 330 páginas. Mas em Wall Street também prestam atenção à história. O Alibaba já estreou no mercado de ações de Hong Kong em 2007 e não se saiu bem, porque na época seus resultados eram muito pobres. Agora a situação é diferente.

Calcula-se que sua capitalização se aproxime dos 170 bilhões de dólares (381,4 bilhões de reais). O portal conta com uma base de 700 milhões de usuários. Na China, 70% das remessas são geradas pelo Alibaba. Ma, um ex-professor que aprendeu inglês escutando a Voz da América, tem uma fortuna estimada em 11,4 bilhões de dólares (25,5 bilhões de reais|) aos 49 anos de idade. O investidor não investe diretamente no Alibaba, mas em uma filial estabelecida nas Ilhas Caiman, que por sua vez é filial de uma outra em Hong Kong.