O Real Madrid dá sobrevida ao Barça

Contra um Valladolid à beira do abismo, o time de Ancelotti também patina, e só um milagre lhe dará o título da Liga Cristiano saiu machucado antes dos 10 minutos

Cristiano, no chão, no início da partida.
Cristiano, no chão, no início da partida.Gonzalo Arroyo Moreno (Getty)

A Liga está aos pés do otimista Atlético desta temporada e do deprimido Barça, que já andava mexendo as fichas para o segundo semestre. O Real Madrid sofreu seu segundo tropeço consecutivo, desta vez contra o Valladolid, que o recebeu como vice-lanterna e agora cruza os dedos por um milagre. Se no domingo o Atlético ganhar do Málaga e o Barça não vencer em Elche, o título será alvirrubro, diga o que disser o Real. Ao Atlético lhe bastariam inclusive dois empates. Agora, se os azuis-grenás não falharem no Altabix, o bingo dependerá do seu duelo com o time de Simeone na última rodada, no Camp Nou.

A épica batalha de Munique preparou o Real para o seu décimo título europeu, mas o deixou na sarjeta na Liga. Dois empates consecutivos após alcançar a final da Champions mostraram um apagão no time, como se ele estivesse aferrado totalmente a esse decacampeonato que se antevê, a essa Copa que, com razão, sente mais sua do que de ninguém.

No Zorilla, viu-se um Real confuso, sem um plano concebido. Sem muito jogo, conseguiu domesticar o seu rival no primeiro tempo; depois, já com o Valladolid todo descoberto, não teve respostas para selar o confronto. Ancelotti se cobriu o quanto pôde, os atacantes se distanciaram da linha de zaga, e os meias ficaram à intempérie: uma equipe longuíssima, infinita. Com o abismo do rebaixamento, o grupo de Juan Ignacio Martínez, que no início se viu nocauteado, apertou a mandíbula e teve mais perseverança do que jogo. Bastou-lhe afinco para receber um prêmio numa cabeçada de Osorio – muito mal defendida por Illarramendi – numa cobrança de escanteio, quando faltavam cerca de dez minutos para o final da etapa.

Benzema já havia saído, trocado por um zagueiro como Marcelo; Isco também, substituído por um meia de contenção como Illarra; idem Cristiano, que está furioso com seus músculos. Como Bale, que ficou quieto em Madri.

À falta de Bale e Cristiano, Sergio Ramos, que já foi meia-atacante, lateral e zagueiro central, se vestiu de centroavante. Está para o que der e vier, porque nesse andaluz há futebol que não acaba mais, e tanto se entroniza numa noite universal em Munique como também fica à frente num duelo encalacrado como no Zorilla. Jogador decidido e sempre com o olhar para frente, ele já resistiu às garras que Mourinho mostrou diante do presidente e suportou com integridade lançar um pênalti na atmosfera numa semifinal da Champions.

Ramos tem tanta fé em si que é atualmente o madridista da moda, e até se atreve a competir com gente como CR e Bale nas cobranças de faltas. Na volta de Casillas à Liga, Sergio foi em Valladolid mais uma vez o chefe, e não titubeou em executar os locais com um lançamento direto, ao qual Jaime não interceptou completamente. A bola veio mais como um cruzamento, e o arqueiro do Valladolid só chegou a raspar os dedos nela. A essa altura, e já desde os 8 minutos, Ronaldo era testemunha, no banco, por fadiga na sua perna esquerda. É bom que os jogadores interpretem seus músculos, é um entendimento obrigatório. Com o gol na mochila, lá se foi Ramos comemorar com o companheiro machucado. Ofereceu-lhe seu quinto tento nos últimos quatro jogos.

Em Valladolid, Ramos foi o primeiro a destrancar uma partida que começou com o Real fora de cena e com um mandante que tinha ar nas suas bordas, por onde ameaçavam Jeffren e Bergdich. Javi Guerra teve o gol onde mais gosta, na cabeça, mas girou muito o pescoço, e Casillas contemplou aliviado como a bola saía por um palmo. O Real ficou ainda mais aturdido depois que CR pediu a substituição. Ele terá de se poupar numa Liga que lhe escapa, com a final da Champions em apenas duas semanas, e com a Copa do Mundo no horizonte.

Sem controle do jogo, foi Alonso o primeiro a mudar de rota. O basco pôs voltagem no jogo e, com alguns passes telescópicos em profundidade, o Valladolid recuou para a trincheira. Ausente Bale, Ancelotti tinha recorrido a Di María como lateral direito; sem Cristiano, Morata entrou caindo pela esquerda. Com o rival submetido, Ramos carregou os canhões, e não só pelo gol de bola parada. De cabeça, também teve suas chances. A partida discorria no ritmo de Alonso e com a firmeza de Ramos.

O Valladolid não teve resposta até que, no segundo ato, sentiu que não tinha remédio senão dar um passo à frente. Com apenas três rodadas pela frente, era o penúltimo e, a esta altura da temporada, está sobrecarregado de tarefas: três partidas em uma semana. O ânimo e a garra o alcançaram. Não produzia oportunidades, só uma estupenda bicicleta de Javi Guerra, mas a equipe ia para cima com tudo. O Real já não era o mesmo do primeiro tempo, estava quebrado, sem tração, com um jogo descontínuo e as linhas abertas como um oceano. Ancelotti ainda fez uma tentativa com Illarramendi e Marcelo. Sem solução, o Real se foi distraindo até que Osorio colocou o time em xeque e deixou tudo sob medida para Atlético e Barça. Foi o Real que deu sobrevida ao Barcelona. Travessuras do futebol e dos seus imprevistos destinos.

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