escândalo racista na NBA

Clamor contra Sterling e seus comentários racistas

Os jogadores dos Clippers comparecem à partida contra os Warriors com a camiseta de treino no avesso Obama e Jordan recusam frontalmente as ofensas atribuídas ao dono da equipe do Los Angeles

Os jogadores dos Clippers com camiseta no avesso.
Os jogadores dos Clippers com camiseta no avesso.Marcio Jose Sanchez (AP)

A tempestade aumenta em torno dos comentários racistas feitos pelo dono dos Clippers, Donald Sterling. A resposta dos jogadores da equipe do Los Angeles foi pública e notória. Eles compareceram com as camisetas de treino no avesso na quarta partida dos playoffs que disputaram em Oakland contra o Golden State. Além disso, também antes da partida, os jogadores foram ao centro da quadra, tiraram seus moletons e os atiraram. Vários jogadores usaram braceletes ou munhequeiras pretas. Tudo isso em sinal de protesto pelos comentários, gravados pela TMZ Sports, meio de comunicação norte-americana, em que Sterling briga com a sua noiva, V. Stiviano, por sair com negros.

“Me incomoda muito que você queira divulgar que está se associando com gente negra. Pode dormir com eles. Só o que eu te peço é que não divulgue isso e que não os leve aos meus jogos”, são as frases de Sterling gravadas de uma conversa telefônica com Stiviano no último dia 9 de abril.

Michael Jordan, durante uma partida dos Bobcats.
Michael Jordan, durante uma partida dos Bobcats.GRANT HALVERSON (AFP)

Pouco antes do encontro em Oakland, Chris Paul e Doc Rivers, a estrela e o treinador dos Clippers, explicaram que toda a equipe se mantém unida nas ações empreendidas como protesto pelos comentários de Sterling. Em um princípio, consideraram inclusive não comparecer na quarta partida dos playoffs como sinal de protesto, mas descartaram a possibilidade.

O escândalo é de tal magnitude nos Estados Unidos que os jornalistas perguntaram sobre o caso para Barack Obama em uma coletiva de imprensa durante a viagem que o presidente fez para a Malásia. “São comentários ignorantes, incrivelmente ofensivos e racistas. Não acho que eu tenha que interpretar estar declarações. Elas falam por si mesmas”, assegurou o presidente dos Estados Unidos. “Os Estados Unidos continuam lutando contra a herança do racismo, a escravatura e a segregação, e aí seguem os vestígios da discriminação. Quando gente ignorante quer anunciar sua ignorância, não é necessário fazer nada, simplesmente lhes deixar falar”. Obama acrescentou: “A NBA está cheia de jogadores afroamericanos. Suspeito que a NBA está firmemente decidida a resolver esta situação”.

Michael Jordan, o legendário ex-jogador dos Bulls e agora proprietário dos Charlotte Bobcats, tornou público um comunicado expressando sua opinião sobre o escândalo. “Obviamente estou contrariado pelo fato de que um colega pudesse sustentar tais opiniões, repugnantes e ofensivas. Estou seguro de que Adam Silver (comissionado da NBA) fará uma investigação a fundo e tomará as medidas adequadas. Como jogador, estou completamente indignado e horrorizado. A discriminação de nenhum tipo não pode e nem deve ser tolerada”, conclui Jordan.