CONSOLIDAÇÃO FISCAL

França exige que o BCE atue para frear o euro e pede a Bruxelas mais investimento

O ministro da Economia pede uma compensação à Europa em troca dos novos recortes "É hora de que a Comissão organize, estimule e relance o crescimento", afirma O Eliseu propõe uma reunião especial dos líderes comunitários sobre a divisa

Agências
Montebourg e Rebsamen, responsável pela pasta do Emprego, depois da reunião do gabinete que aprovou os novos recortes.
Montebourg e Rebsamen, responsável pela pasta do Emprego, depois da reunião do gabinete que aprovou os novos recortes.PATRICK KOVARIK / AFP

O ministro francês de Economia, Arnaud Montebourg, exige que o Banco Central Europeu (BCE) atue para reduzir o valor do euro e pediu políticas de investimento à Comissão Europeia para estimular a atividade econômica, em troca dos novos recortes anunciados pelo seu Governo. "Assumimos nossas responsabilidades sobre o déficit público. Estamos lançando reformas", explica Montebourg em uma entrevista publicada nesta quinta-feira por Les Echos.

Montebourg reitera que reduzir o buraco das contas públicas ao limite de 3% do produto interno bruto (PIB) em 2015 "é um compromisso da França". "Mas em troca, temos coisas que pedir a Bruxelas", disse. Em primeiro lugar, continuou o responsável econômico do Eliseu, "que Europa mude de direção tanto em política monetária como no plano de redução dos investimentos" porque "é hora de que a Comissão finalmente organize, estimule e relance o crescimento", acrescentou.

Segundo argumentou Montebourg, agora há que "ajudar os soldados da infantaria nacional que se esforçam em sanear suas contas públicas com um apoio aéreo do BCE". "Não podemos assumir decisões difíceis se não estamos respaldados por mudanças importantes na política monetária", continuou antes de revelar que seu Governo proporá "uma reunião rápida de nossos sócios europeus para falar deste tema". "Há que baixar o euro", insistiu.

Mensagem de Draghi

O ministro comemora na entrevista as declarações do fim de semana passado do presidente do BCE, Mario Draghi, sobre a possibilidade de recorrer a medidas não convencionais para diminuir o nível da moeda única, que se revalorizou nos últimos meses em frente a boa parte das outras divisas. Por um lado, esta escalada dificulta a recuperação ao encarecer as exportações e, por outro, dificulta a reanimação da inflação, que está em níveis que o próprio Draghi considera como "zona de perigo" depois de cair a 0,5% em março. Por isso, Montebourg fez questão de que agora o presidente do BCE "deve passar a atuar".

"Esperamos uma decisão para o começo de maio, na próxima reunião do BCE", assegurou Montebourg: "a política não convencional é a solução aos nossos problemas. É o que fazem (Barack) Obama e (David) Cameron" nos Estados Unidos e no Reino Unido. Com isso, aumenta a pressão sobre Draghi para conjurar o risco de deflação, algo que o FMI e os governos da Itália e Espanha já fizeram.

Em seu ataque ao Banco Central Europeu, o político francês também criticou a estratégia atual do instituto emissor tendo em conta que "não respeita seu mandato", segundo o qual a inflação deveria estar perto mas por embaixo dos 2% para garantir um crescimento sustentável da economia.

Críticas a Bruxelas

Sobre a Comissão Europeia, Montebourg advertiu sobre o balanço do gerenciamento de Bruxelas "é ultra negativo em matéria de crescimento", já que desde o início da crise o PIB norte-americano progrediu 10%" mais que o da zona euro. "A UE tem que levar a cabo uma política de apoio da atividade", comenta o titular francês de Economia. Com este objetivo, vai criar um "conselho para o crescimento e o pleno emprego" encarregado de alimentar "o debate econômico em frente à Comissão Europeia para convencê-la a evoluir seus dogmas" porque "o orçamento e a moeda são as duas pernas da economia".

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