Os EUA ameaçam a Rússia com novas sanções para reduzir a tensão na Ucrânia

A Casa Branca e o secretário de Estado acusam o Kremlin de estar por trás dos protestos pró-Rússia e dos ataques a edifícios públicos da região de Donetsk neste fim de semana

John Kerry, durante uma audiência no Senado.
John Kerry, durante uma audiência no Senado.MICHAEL REYNOLDS (EFE)

Os Estados Unidos não estão dispostos a que os protestos e desordens promovidas por ativistas pró-russos que aconteceram ao longo desta semana nas principais cidades do leste da Ucrânia se convertam no prelúdio de uma nova Crimeia. A Casa Branca e o Departamento de Estado promoveram ações inibitórias a Moscou, incluindo nos últimos sete dias ameaças de novas sanções, para que depusesse sua atitude beligerante. Tanto o Conselho de Segurança, primeiro, como o secretário de Estado, John Kerry, assinalaram diretamente a Rússia como o principal catalisador da desestabilização na zona, durante uma conversa telefônica com seu homólogo russo, Serguei Lavrov.

“O secretário deixou claro que se a Rússia não adotar medidas para reduzir a tensão no leste da Ucrânia e retirar suas tropas da fronteira com esse país, teria consequências adicionais”, disse um porta-voz do Departamento de Estado em relação `a conversa entre Kerry e Lavrov. O chefe da diplomacia norte-americana manifestou ao ministro de Relações Exteriores russo que não tinha dúvidas de que Moscou estava por trás dos ataques à sede do Ministério do Interior e às delegacias de polícia de três das principais cidades da região de Donetsk, afirmando que os assaltantes “estavam equipados com armas russas e levavam os mesmos uniformes que os das forças russas que invadiram a Crimeia”.

Horas antes, desde o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca pedia ao presidente russo, Vladimir Putin, que “cessasse seu esforço para desestabilizar a Ucrânia” e lhe advertia "contra uma futura intervenção militar”. Ao longo desta semana, a presidência, o Departamento de Estado e o próprio secretário do Tesouro, Jack Lew, ameaçaram a Rússia com novas sanções econômicas se não depunha sua política em relação à Ucrânia. No entanto, como se demonstrou desde o começo da crise, a Rússia desafiou todos e a cada um dos ultimatos lançados pelos EUA. Na segunda-feira, diante do risco de que os protestos no leste da Ucrânia aumentassem, Kerry advertiu Lavrov, em outro telefonema, sobre os custos de desestabilizar esse país e lhe recomendou que recuasse publicamente e não motivasse as ações dos ativistas pró-Rússia. Ao longo da semana, os incidentes e a tensão não pararam de aumentar e o próprio Putin ampliou sua intimidação, ameaçando suspender o envio de gás à Ucrânia e, portanto, ao resto da Europa, caso Kiev não pagasse sua dívida com Gazprom.

Por enquanto, os EUA impuseram um pacote de sanções aos principais responsáveis pela anexação da Crimeia e a um banco muito próximo ao Kremlin. Ao longo desta semana, a Casa Branca ameaçou com novas medidas que poderiam afetar setores essenciais da indústria russa, mas não concretizou quais, à espera de poder coordenar com seus sócios europeus, que têm uma grande dependência do fornecimento energético de Moscou. “Vamos combater a Rússia com as armas do século XXI”, afirmou Kerry na terça-feira durante uma audiência no Senado na qual enfrentou várias críticas pelo escasso sucesso dissuasivo das medidas adotadas contra o país. “O rublo se desvalorizou e a percepção que se tem desse país mudou”, defendeu o secretário de Estado, para justificar o efeito das sanções.

Além das sanções, em um gesto de seu apoio ao atual Governo interino ucraniano, a Casa Branca anunciou no sábado a visita do vice-presidente Joe Biden a Kiev em 22 de abril, que se reunirá com membros do Executivo e outros líderes do país para tratar, entre outros temas, “dos passos para reforçar a segurança energética da Ucrânia a curto e longo prazo”.

A tensão entre Rússia e EUA aumenta a menos de uma semana para que as negociações entre Moscou, Washington, Kiev e Bruxelas aconteçam em Genebra. O intuito do encontro é avançar na solução do conflito. Neste domingo, o secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, através de um comunicado, instava as partes implicadas a “trabalhar para acalmar a situação, centrar-se no império da lei e na máxima contenção” e apelava “a um diálogo construtivo” para resolver suas diferenças.

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