O Panamá inaugura o primeiro metrô da América Central

A construção foi liderada pela empresa espanhola FCC, juntamente com a brasileira Odebrecht, a um custo de 4,3 bilhões de reais

Metrô do Panamá, que foi inaugurado nesta sexta-feira.
Metrô do Panamá, que foi inaugurado nesta sexta-feira.R. Guerrero

O Panamá contará, a partir deste sábado, com a primeira linha de metrô de toda a América Central, um projeto que revolucionou a cidade nas últimas semanas e que constitui, junto às obras de ampliação do Canal, cuja construção atrasou em ao menos um ano, o grande legado do Governo de Ricardo Martinelli em matéria de infraestruturas.

As 14 estações que formam a Linha 1 do metrô foram construídas pela espanhola FCC juntamente com a brasileira Odebrecht, que finalizaram esta primeira fase do projeto por 1,8 bilhão de dólares (3,9 bilhões de reais) “embora as ampliações de última hora no projeto, com uma estação adicional ao desenho inicial e a possibilidade de incorporar outra no meio do trajeto, por onde colocaremos as escavadoras, elevaram a conta final até os 2 bilhões de dólares (4,3 bilhões de reais)”, admite Javier Alañón, um engenheiro da Cidade Real que dirigiu a construção do metro panamenho.

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Com este novo projeto, o Governo espera solucionar, ao menos em parte, o sério problema de transporte público que a capital sofre. “Está previsto que o metrô possa transportar até 45.000 passageiros por hora”, explica Alañón. Alguns relatórios, impulsionados entre outros pelo Banco Mundial, sugerem que a aposta no metrô não é a melhor solução para os problemas de transporte nas cidades em desenvolvimento, tanto por seu custo como por sua escassa eficiência. Mas essa tese pouco pode fazer frente ao entusiasmo cidadão pela nova infraestrutura. “Parece um projeto excelente, excelente. Todas as grandes capitais do primeiro mundo têm um metrô, não?”, apontava Daira Muñoz em um das viagens autorizadas pelo Governo nos dias prévios à inauguração.

O ato oficial a cargo do presidente Martinelli ocorre um mês antes das eleições presidenciais, nas que o candidato oficialista, José Domingo Arias — cuja candidata à vice-presidência é Marta Linares, esposa de Martinelli— está praticamente empatado nas pesquisas com o líder do Partido Revolucionário Democrático, Juan Carlos Navarro. Além disso, Martinelli prometeu que o preço do bilhete será menos de um dólar e que durante o primeiro mês, que coincide com o reta final da campanha, as viagens de metrô serão gratuitas. Martinelli, além disso, prometeu deixar licitada a Linha 2 do metrô antes de finalizar seu mandato.

Nos dias prévios à sua inauguração oficial, as visitas organizadas ao metrô foram incessantes. Funcionários, militares, policiais e membros de organizações e empresas internacionais recorreram aos seus contatos para estrear as viagens que sai da Estação 5 de Maio e vai até Los Andes, embora as instalações tenham sido entregues oficialmente no dia 28 de fevereiro pela empresa. FCC acaba de finalizar as obras de ampliação do metrô de Lima, no Peru. “O projeto de Lima tem pouco a ver com este. O país já conta com várias linhas de metrô e ali o projeto é todo soterrado, daí o custo da obra”, explica o engenheiro.