Coreia do Norte lança dois mísseis de médio alcance ao mar

São os primeiros testes de projéteis deste tipo por Pyongyang em quase cinco anos

Forças norte-coreanas lançando um míssil em 2013. (reuters_live)

A Coreia do Norte lançou dois mísseis nesta quarta-feira, como reação a uma reunião na Holanda entre os líderes da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e do Japão para discutir a ameaça nuclear de Pyongyang.

Nos primeiros testes norte-coreanos de projéteis de médio alcance em quase cinco anos, os dois mísseis Rodong foram lançados às 2h35 e às 2h42 da madrugada desta quarta-feira (horário local) de veículos de lançamento móveis em Sukchon, ao norte de Pyongyang, e percorreram cerca de 650 quilômetros, caindo no mar entre a Coreia do Norte e o Japão, segundo Kim Min-seok, porta-voz do Ministério da Defesa de Seul.

“A Coreia do Norte está alardeando sua capacidade militar”, disse Kim em uma entrevista coletiva. “É uma grave provocação contra a Coreia do Sul e a comunidade internacional”.

Os lançamentos coincidiram com uma reunião entre a presidenta sul-coreana, Park Geun-hye, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente norte-americano, Barack Obama, na terça-feira. Os três líderes mantiveram conversas com portas fechadas antes da visita de Obama a ambos os países no próximo mês.

"Nossa cooperação trilateral enviou um forte sinal a Pyongyang de que suas provocações e ameaças serão recebidas com uma resposta unificada", disse o presidente norte-americano, segundo a agência France Presse, após a reunião, à margem de uma cúpula de segurança nuclear em Haia.

Kim condenou os lançamentos por violarem as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas adotadas após os testes nucleares de mísseis de longo alcance da Coreia do Norte dos últimos anos -as resoluções não permitem que o país desenvolva qualquer tecnologia de mísseis balísticos.

Os lançamentos foram os mais graves de uma série de testes de mísseis e foguetes de curto alcance que Pyongyang tem perpetrado desde o final de fevereiro, como protesto aos exercícios militares anuais entre a Coreia do Sul e os EUA que o Norte considera uma preparação para uma invasão.

Os mísseis Rodong, que têm um alcance de 1.300 quilômetros e poderiam chegar a Tóquio, foram desenvolvidos a partir dos velhos mísseis Scud de design soviético. São armas balísticas entre as mais potentes do crescente arsenal do país, e estimado em 300 mísseis Rodong. Se Pyongyang conseguisse miniaturizar bombas atômicas, em teoria esse arsenal poderia ganhar o reforço de ogivas nucleares.

"Estamos acompanhando de perto a situação, porque os testes de Rodong feitos no passado foram precedidos ou seguidos de outras provocações", disse Kim.

Apesar da oposição internacional, a Coreia do Norte ameaçou fortalecer seu armamento nuclear e desenvolver mísseis de longo alcance. Em dezembro de 2012, pôs um satélite em órbita com um foguete, algo que Washington interpretou como um esforço para se construir um míssil balístico intercontinental.

Desde fevereiro de 2013, quando Pyongyang realizou seu terceiro teste nuclear, pioraram as relações com Seul, mas as tensões foram reduzidas o suficiente para ter realizado reuniões entre as duas Coreias no final de fevereiro.

Os testes desta quarta-feira também coincidiram com o quarto aniversário do afundamento do navio de guerra sul-coreano Cheonan, no qual morreram 46 marinheiros. Seul e Washington disseram que tratou-se de um ataque norte-coreano. Mas Pyongyang negou responsabilidade no afundamento.