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31ª RODADA DA LIGA | REAL MADRID E RAYO

O Madrid se consola com o Rayo

O time da camisa branco, com Bale à frente, comemora um pacote de gols contra a equipe do técnico Jémez, em uma partida marcada pela ferida em uma parte da arquibancada

Bala comemora um de seus gols.
Bala comemora um de seus gols.

Atrás do Atlético e do Barça, o Madrid encontrou consolo no Rayo e, ao menos contra os rivais de corte mais raso, se manteve no rumo das cabeças. Segue na briga e para isso puxou a rede a um rival que não encontrou a forma de pegar o bonde frente a uma equipe que pegou o vôo e goleou galopante, com Bale na frente, com a moto em ponto. Na corrida, o Madrid não encontrou barreiras e se deu uma indigestão no encontro marcado pela ferida aberta com Diego López a partir de algumas tribunas do Bernabéu, onde o ambiente esteve tão vazio que, no final, até Cristiano levou reprovação por certo egoísmo.

De volta ao Chamartín depois do clássico convinha examinar a um Madrid sob suspeita depois das chicotadas do Barça e Sevilla. Uma parte da torcida não demorou na sentença e pôs Diego López na berlinda desde o primeiro instante. O Rayo foi anêmico no ataque e o suplício do goleiro galego foi sua própria gente. Justo agora com o campeonato por um fio, parece que um setor do madridismo tomou partido entre os goleiros, um debate que propiciou o clube e sequenciou Ancelotti desde o amanhecer da Liga. Talvez porque era costume que em momentos de pico se reproduzissem os milagres no gol. Era um hábito com Iker Casillas, não com Diego López, um bom goleiro que compete bem em circunstâncias extremas, mas que lhe falta alguma proeza. Casillas é um algo a mais, muito mais, que uma grande sombra.

REAL MADRID 2 X RAYO 0

Real Madrid: Diego López; Carvajal, Pepe, Sergio Ramos, Coentrão; Illarramendi (Isco, m. 61), Xabi Alonso, Di María (Casemiro, m. 69); Bale, Benzema (Morata, m. 72), Cristiano Ronaldo. Não utilizados: Casillas, Marcelo, Varane, Nacho.

Rayo Vallecano: Rubén; Arbilla, Zé Castro, Borja López, Rat; Trashorras, Saúl; Rochina (José Carlos, m. 24), Bueno (Jonathan Viera, m. 58), Iago Falqué, Larrivey (Longo, m. 70). Não utilizados: Cobeño, Baena, Nacho, Lass.

Gols: 1-0. M. 15. Cristiano. 2-0. M. 55. Carvajal. 3-0. M. 68. Bale. 4-0. M. 70. Bale. 5-0. M. 78. Morata.

Árbitro: Delgado Ferreiro. Amarelou a Carvajal.

Estadio: Santiago Bernabéu. 50.000 espectadores.

Contra o Rayo, nada fez Diego López para fazer disparar as vaias. Os jogadores de Paco Jémez, fracos para defender e sem profundidade, não deram nem um ataque, salvo uma cabeçada de Saúl a uma trave já com 2-0. Em uma partida sem muita posse da bola, ao Madrid bastou colocar o turbo para criar uma catarata de ocasiões, todas a mil por hora, com a vertigem que etiqueta esta equipe. Cada corrida de Di Maria, Coentrão – que substituiu com categoria a Marcelo -, Cristiano ou Bale botava do avesso aos rayistas, sem estrutura para conter as investidas. No primeiro piscar do encontro Benzema já pôde marcar, assistido por Bale, que esteve em todas e quase todas boas situações. Contra equipes que lhe abrem o horizonte, o galês é um cão inalcançável para a maioria. Acertou Rubén contra o francês, mas nada pôde fazer quando Cristiano e Bale saíram do compasso e transaram uma jogada a toda velocidade. Com um controle geométrico, o português deixou na vala três defensores do Rayo e colocou a bola em um canto da meta visitante. Foi Bale o primeiro a abraçar Cristiano, uma imagem reconciliadora depois da discussão no Pizjuán, quando o primeiro esqueceu a hierarquia em uma falta que ia cobrar o português.

 

Ao Madrid não lhe fazia falta acunar a pelota, lhe bastava com suas velocistas

Ao Madrid não fazia falta dominar a bola. Bastava que qualquer um de seus muitos velocistas se colocasse pelos lados, uma sangria para o Rayo. O conjunto valecano não é dos que dos que deixa coberta a sua meta, mas dado o panorama, Paco Jémez, que não se omite, demorou pouco mais de 20 minutos para tomar medidas. Tirou Rochina e fez o laço a José Carlos para buscar maior aplicação no lado direito. Com Bale e o resto da cavalaria não houve remédio. Modificado o Rayo, o britânico, que acabava de colocar de novo Benzema frente ao gol pelo costado esquerdo, mudou de rumo, enfileirou pela direita e chegou frente a Rubén com dois corpos de vantagem sobre a zaga rayista. De forma inesperada, Bale se atrapalhou e deu um pontapé em alguma toupeira. Com o eco sobre Diego López e Cristiano com o joelho esquerdo dolorido, o Madrid fechou um primeiro ato muito administrativo no jogo e estranho pelas oportunidades desperdiçadas, sequela de uma semana pouco habitual nesse capítulo. No é esta uma equipe que custe a nocautear. Pois se haviam dúvidas, no segundo tempo voltou o Madrid dos canhões.

Com o Rayo como de costume, de peito aberto, o grupo de Ancelotti deu uma festa. Bale seguiu na sua, colocando gás. Assim não tem freio. Primeiro, no limite do impedimento, colocou em órbita Cristiano dentro da área. O português, solidário dessa vez, viu chegar de frente Carvajal, que selou o segundo tento com um chute certeiro com a canhota. Com a porteira aberta, Di Maria pegou o foguete e Bale colocou o ponto seguinte. Do quarto gol se encarregou apenas o galês, que cruzou Chamartín de ponta a ponta e chegou com ar para acertar a finalização fora do alcance de Rubén. Por muito que o Rayo já estivesse no caroço, Bale é um tiro. Entre sprint e sprint local, já havia aparecido Isco, outra vez no lugar de Illarramendi. Não há descanso para Alonso, nem quando só há mera formalidade. Sim para Benzema, que deixou espaço para Morata, autor de um golaço para terminar o festival. O gol do careca, assim apareceu o centroavante da base, foi tão estrondoso – uma finalização dura e colocada – como peculiar: por uma vez os merengues fizeram bingo sem ter que voar. Contra os adversários do pelotão, este Madrid sim é um tiro.