Os carros ‘made in México’ tomam as estradas dos Estados Unidos

O país asteca está prestes a se tornar o segundo maior exportador de veículos ao seu vizinho, à frente do Japão

Uma fila de veículos em uma fábrica de Ford.
Uma fila de veículos em uma fábrica de Ford.D. Acker (Bloomberg)

Quando um norte-americano vai a uma concessionária comprar um carro -seja da alemã Volkswagen, da japonesa Nissan e até de uma empresa norte-americana como a Ford- há muitas possibilidades de que o carro que esteja adquirindo não seja nem alemão, nem japonês nem norte-americano, senão mexicano. E cada vez mais. O México está prestes a se tornar o segundo maior exportador mundial de carros aos Estados Unidos, à frente do Japão e apenas superado pelo Canadá. Embora ninguém saiba por quanto tempo se lhe resistirá o primeiro posto da lista. A pujança da indústria automotiva mexicana fez com que os analistas prognostiquem que ao longo de 2015 possa se tornar o primeiro. A principal explicação: o Tratado de Livre Comércio. 

Os lucros pelas exportações de carros quase duplicam os da venda de petróleo

O México tornou-se uma potência da indústria automotiva nos últimos vinte anos e é o oitavo maior fabricante mundial. Em 1994, ano em que entrou em vigor o acordo que eliminava os impostos entre os três países da América do Norte, o México fabricou 1.055.221 carros. Duas décadas depois, em 2013, a cifra atingiu os 2.933.465; quase o triplo.

A proximidade dos EUA, as facilidades para importar do norte as peças para montar os veículos e uma mão de obra mais barata fez com que as fábricas -também as norte-americanas- se instalassem do lado mexicano da fronteira. “Um veículo mexicano que se exporta para os EUA tem 40% de valor e conteúdo desse país. Todos saíram ganhando com o tratado de livre comercio”, explica Eduardo Solís, presidente executivo da Associação Mexicana da Indústria Automotiva (AMIA). 

A maioria dos carros que se fabricam no México não fica no país, senão é exportada a mais de 100 países; 83% do total em 2013; 2.423.084 veículos, para ser exatos. Não por acaso, o país é o quarto maior exportador mundial. O México conta com “uma rede de acordos comerciais com mais de 40 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, Japão e a União Europeia. Estes acordos nos permitem ter uma entrada preferencial que dá vantagem aos nossos fabricantes e exportadores”, lembra Solís. Esta rede a cada vez é mais extensa graças a outros acordos como a recém estreada Aliança do Pacífico, que conforma junto à Colômbia, Chile e Peru. 

O México é o oitavo maior fabricante mundial de automóveis e o quarto maior exportador

Mas, apesar da diversidade de países com os quais México tem acordos comerciais - da Bolívia ao Japão-, seu principal mercado é os Estados Unidos, a onde exporta seis de cada dez carros que fabrica. O dato dos 1.646.950 carros que enviou aos EUA durante 2013 é quase 10% maior que no ano anterior e bem próximo do número de autos japoneses. 

Este intercâmbio comercial é uma fonte de divisas para o México. A balança comercial do setor atingiu um recorde histórico em 2013 com um superávit de 38,77 bilhões de dólares (89,63 bilhões de reais). E os lucros pelas exportações de carros são quase o duplo dos conseguidos com a exportação de petróleo. Além disso, enquanto as exportações de autos cresceram 20% em 2013, as de cru desceram 8,5% com respeito ao ano anterior. 

Se o Tratado de Livre Comercio foi um ganha-ganha para todos, as previsões de AMIA são um crescer-crescer do setor. Seus prognósticos dizem que, em quatro anos, o número de veículos fabricados no México chegará aos quatro milhões, em boa parte graças às novas fábricas que estão se estabelecendo no país. No último mês inaugurou-se a planta de Honda na localidade de Celaya (Guanajuato) - que produzirá cerca de 200.000 unidades por ano - e a primeira de Mazda, com um investimento de 770 milhões de dólares. Duas empresas japonesas que fabricarão carros ‘Made in México’.

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