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Sánchez Cerén, ex-líder guerrilheiro, é o presidente eleito de El Salvador

O Tribunal Supremo Eleitoral do país declarou em caráter definitivo os resultados das acirradas eleições de 9 de março

Sánchez Cerén prepara a transição em El Salvador.
Sánchez Cerén prepara a transição em El Salvador. EFE

O ex-líder guerrilheiro salvadorenho Salvador Sánchez Cerén, um dos principais dirigentes do agora partido Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), foi proclamado tarde da noite no domingo presidente eleito de El Salvador pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), que

 se pronunciou

 em caráter definitivo sobre os resultados do pleito de 9 de março. Sánchez Cerén se

 tornará, após o primeiro dia de junho, no quatro ex-rebelde latino-americano a chegar ao Governo depois da realização de eleições livres, após Daniel Ortega, da Nicarágua; José Mujica, do Uruguai e Dilma Rousseff, do Brasil.

“Quase mais de 20 anos após o fim de uma guerra, como a que estivemos envolvidos, agora chegamos ao Governo para continuar com nosso trabalho de derrotar a pobreza e levar justiça a El Salvador”, afirmou Sánchez Cerén, quem no conflito (1980-1992) ficou conhecido como “Comandante Leonel González”.

O TSE demorou uma semana para proclamar Sánchez Cerén presidente eleito, devido ao acirramento dos resultados das eleições. Não só teve de esperar a contagem definitiva das atas de votações, como também julgar os quatro recursos apresentados, entre eles o de anulação do pleito interposto pelo candidato perdedor, Norman Quijano, da Aliança Republicana Nacionalista (ARENA).

O presidente do tribunal, Eugenio Chicas, oficializou por unanimidade os resultados que deram a Sánchez Cerén uma vitória com 50,11% dos votos válidos, contra 49,89% obtidos por Quijano. A diferença é mínima: 6.364 votos a favor da esquerda oficialista, isto é, menos de um ponto percentual: 0,22% dos votos válidos. As eleições foram as mais disputadas da história de El Salvador.

Antes de proclamar o presidente eleito, Chicas explicou que foram indeferidos os recursos interpostos pela ARENA, especialmente o que diz respeito ao pedido de anulação do processo eleitoral, por considerar inadmissíveis os argumentos de uma possível fraude.

As presidenciais foram realizadas em dois turnos: o primeiro ocorreu em 2 de fevereiro, quando Sánchez Cerén e Quijano resultaram como os dois candidatos mais votados, entre cinco participantes. A segunda etapa foi realizada porque ambos não conseguiram mais da metade dos votos válidos. Ao contrário do primeiro turno, quando o ex-guerrilheiro levou ampla vantagem de quase 10 pontos percentuais sobre o direitista, na segunda etapa o resultado foi muito apertado.

Sánchez Cerén fez nesta segunda-feira chamadas ao diálogo e ao entendimento entre todos os setores nacionais, especialmente aos líderes da ARENA. Também explicou que seu triunfo foi endossado pelas missões de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia (UE), que declararam o processo limpo e legítimo.

“Vamos colocar mãos à obra; imediatamente vamos começar o processo de transição entre o governo que sai e o que entra, e apontando quais são nossas prioridades: a luta contra a violência urbana, a geração de emprego e o combate frontal à pobreza, o que quer dizer que aprofundaremos o que até agora o governo do presidente Funes fez na área social”, destacou o ex-líder guerrilheiro.

Como presságio da continuidade das confrontações, os líderes da ARENA afirmaram que “continuam sem reconhecer o presidente eleito”. Longe disso, organizações sociais aliadas à oposição apresentaram nesta segunda-feira um novo recurso de amparo na Corte Suprema de Justiça, a fim de obrigar o tribunal eleitoral a abrir as urnas e contar voto por voto.

Advogados locais consultados pelo El País indicam que certamente o máximo tribunal de justiça eliminará tais amparos porque em matéria eleitoral a voz mais forte cabe ao Tribunal Supremo Eleitoral, que já proclamou o presidente eleito.