Crise na Ucrânia

Kiev denuncia uma “invasão” militar russa no sudeste da Ucrânia

O Ministério de Exteriores da Ucrânia protesta pela entrada de soldados russos na região de Jersón, que se liga com a Crimeia Pede à Rússia que "retire suas tropas do território da Ucrânia"

Policiais ucranianos vigiam o acesso à sede do partido onde ocorreram os incidentes.
Policiais ucranianos vigiam o acesso à sede do partido onde ocorreram os incidentes.SERGEY BOBOK (AFP)

O Ministério de Relações Exteriores ucraniano denunciou a entrada de soldados das Forças Armadas russas em seu território, na região de Jersón, que faz fronteira com a península da Crimeia. Em um breve comunicado publicado na página site do Ministério, Kiev expressa seu “protesto categórico” pela entrada de “80 militares das Forças Armadas russas, a tomada de controle do povo de Strilkove com o apoio de quatro helicópteros e três carros blindados”.

No comunicado, o Ministério “declara a invasão militar russa e exige a retirada imediata de suas tropas do território da Ucrânia”, para acrescentar ao final que Kiev se reserva o direito “de empregar todas as medidas necessárias para frear a invasão militar por parte da Rússia”.

Segundo veículos ucranianos, por volta das 13h30 de hoje, 40 soldados russos entraram em Strilkove, na região de Jersón no sudeste da Ucrânia, com helicópteros, seguidos depois por outro efetivo com tanques e mais helicópteros. Os guardas fronteiriços da zona foram testemunhas da operação. Os militares russos informaram os guardas que seu objetivo era defender uma instalação de distribuição de gás de possíveis atos terroristas.

Enfrentamentos mortais em Járkov

A tensão entre Kiev e Moscou não para de crescer no leste da Ucrânia, onde se concentra a maior percentagem de população que usa o idioma russo. Ao menos duas pessoas morreram e uma terceira, um policial, ficou ferida ontem à noite em um tiroteio no centro Járkov, informou hoje a promotoria dessa cidade no leste da Ucrânia, de maioria de falantes russos. "Trata-se de uma provocação muito bem planejada", declarou à agência Interfax-Ukraini o chefe da administração regional de Járkiv, Igor Baluta.

Ele disse que o tiroteio ocorreu após um micro-ônibus, que era procurado pela Polícia, chegar a uma das praças onde se celebrava um encontro pró-Rússia e seus ocupantes atiraram contra os manifestantes. Segundo testemunhas, esse veículo já foi utilizado por homens mascarado num ataque no dia 8.

Segundo testemunhas citadas pelo canal russo Rossía 24, depois do incidente na praça, os manifestantes dirigiram-se para a sede do grupo ultranacionalista ucraniano Setor de Direitas.

Os ultranacionalistas repeliram o ataque a tiros e depois disso o edifício foi cercado pela polícia. Após várias horas de negociações os militantes de Setor de Direitas depuseram suas armas e se entregaram à polícia.

Perto de trinta pessoas foram paradas depois do tiroteio de ontem à noite, que causou duas mortes no centro de Járkov, informou hoje o ministro do Interior ucraniano, Arsén Avákov. "Foram paradas cerca de trinta pessoas dos dois bandos que participaram do conflito. Há dois mortos e vários feridos, entre eles um policial, que está em estado grave, escreveu Avákov em sua página de Facebook.

E afirmou que depois "do tiroteio noturno entre radicais" foram apreendidas armas tanto dos ultranacionalistas ucranianos como aos manifestantes pro-Rússia.

Arquivado Em: