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Facção fatura 6 milhões de reais com tráfico e outros crimes

Grupo criminoso tem mais de duas décadas de vida; maioria de seus líderes está presa

Presos durante rebelião de maio de 2006.
Presos durante rebelião de maio de 2006. Estadão Conteúdo

Fundado em 1993, o Primeiro Comando da Capital (PCC) é um grupo criminoso que surgiu dentro das penitenciárias de São Paulo. Quando foi criado, diziam que defenderiam os direitos dos detentos, mas não passou muito tempo se tornou a principal facção criminosa do Brasil. São responsáveis por uma série de rebeliões nos presídios.

Documentos obtidos por diversas investigações policiais mostram que os criminosos aliados a esse grupo faturam mensalmente cerca de 6 milhões de reais com a venda de drogas (crack, cocaína e maconha), assaltos e até aluguel de armas de grande porte. Essa mesma documentação mostra que o PCC tem em seu poder dezenas de imóveis e automóveis.

Além disso, contam com o pagamento de mensalidades que chegam a 800 reais. Os pagamentos são feitos por membros do grupo que estão em liberdade, que também são os responsáveis por vender a droga e fazer os roubos que são ordenados, na maioria das vezes, por líderes que estão presos.

Diversos especialistas em segurança costumam dizer que a importante redução da quantidade de homicídios em São Paulo, que caiu 65% em 14 anos (de 12.818 casos, em 1999, para 4.439, no ano passado) , também tem relação com essa facção criminosa. A lógica é que, quantos menos homicídios acontecem nas áreas onde se vendem drogas, menor é a presença da polícia. Por isso, os chefes do PCC “controlam” os crimes que os atrapalham e punem quem os cometem.

Infiltrados

No ano passado, uma investigação do Ministério Público de São Paulo denunciou 175 suspeitos de integrarem o grupo por crimes cometidos em um período de três anos. Mais de dois terços desses investigados já estavam preso. A Justiça, porém, rejeitou parte da acusação e os que estavam em liberdade, continuaram soltos. Entre eles, advogados que intermediavam o contato dos presos com quem estava em liberdade. A maior parte dessa investigação se baseou em uma série de escutas telefônicas feitas em celulares que estavam com presos nas cadeias paulistas.

Chamado de o partido do crime, o PCC já tentou inclusive se infiltrar na política e no Supremo Tribunal Federal. Candidatos já chegaram a ser investigados por relação com o grupo criminoso, mas nada foi comprovado. Recentemente, na mesma denúncia feita pelos promotores no ano passado, havia indícios de que o irmão de um advogado da facção passaria a trabalhar como assessor de um magistrado na maior corte judicial brasileira, mas ele não chegou a ser contratado porque pairava a suspeita de que poderia ser um braço do grupo no Judiciário.

Os cabeças

Para tentar dificultar a punição de seus chefes, o PCC tem uma dezena de líderes. Nem todos os nomes dos que comandam vieram à tona, essa inclusive é uma estratégia do governo para não dar tanto destaque a esse grupo criminoso. Entre os que já tiveram os nomes divulgados estão Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola (condenado por roubos a banco e associação criminosa), Júlio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola (condenado pelo assassinato de um prefeito e de um juiz) e Wanderson Nilton de Paula, o Andinho (condenado por tráfico de drogas e por tentar explodir uma bomba em um jornal de Campinas no interior paulista).

As autoridades policiais tratam o grupo com um certo cuidado. Frequentemente os chefes das polícias tratam de dizer que o PCC não é tão grande como divulgam e nem tem tanta influência no mundo criminoso. Inclusive, negam que a presença deles influenciou na redução dos assassinatos em São Paulo.