Opinião
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O risco das altas expectativas

O inventário apresentado pelo grupo é insuficiente e está abaixo do esperado

Ram Manikkalingam mostra o inventário das armas que ETA.
Ram Manikkalingam mostra o inventário das armas que ETA.Luis Tejido (EFE)

Nutrir grandes expectativas sobre um acontecimento tem sérios riscos. Foi o que aconteceu hoje com o anúncio da Comisión Internacional de Verificación (CIV) sobre o desarmamento do ETA. O material do inventário que apresentado é insuficiente e fica muito abaixo das expectativas suscitadas pelo anúncio de desarmamento da banda terrorista.

Mais uma vez, o ETA estabelece um novo prazo para materializar seu desarmamento total. Um compromisso adiantado pelo coordenador do CIV, Ram Manikkalingam. Nesses meios, fala-se agora de um ano. Há muito o tempo o ETA está para concluir seu processo de desaparição definitiva e a sociedade o considera acabado. A esquerda independentista, que se formou com o controle do chamado movimento de libertação basco, é obrigada a pressionar o ETA para que ocorra uma aceleração do final definitivo.

Ainda que insuficiente, deve ser valorizado o compromisso de desarmamento total do ETA, pois ele representa um avanço do seu irreversível fim. Sua lentidão se dvbe a uma engenharia interna, de modo a evitar dissidências e cisões, sem esquecer também não o gosto do grupo pelos shows propagandísticos.

Cabe ressaltar, também, que o ETA segue dando passos unilaterais sem condicioná-los a nenhum tipo de negociação, nem sequer de trégua em troca de presos. Mas se deve ressaltar que há mais de dois anos o ETA declarou o fim da violencia. A sociedade já considera a paz selada e aguarda pelo desaparecimento do ETA o quanto antes. Isso será o melhor não só para a sociedade, mas para próprios presos do ETA.