A reforma do Camp Nou tem sobrenome

A aprovação de um novo estádio supõe aceitar obrigatoriamente um único patrocinador

Visão panorâmica do Camp Nou. JOSé JORDÁN (atlas)

Sem um patrocinador que coloque um sobrenome comercial ao estádio Camp Nou, o Barcelona não garante o financiamento da reforma, que pode custar 420 milhões de euros (1,3 bilhões de reais). O vice-presidente econômico azul-grená Javier Faus explicou a condição ontem, durante a apresentação do projeto que passará por votação nos próximos 5 ou 6 de abril —a data será definida em função do dia de jogo. “Tem que ser sustentável para que não afete o projeto esportivo”, concretizou Faus. O sócio que não concorde com o patrocínio, uma contribuição de aproximadamente 150 milhões de euros, deverá votar não à reforma, porque ambas coisas são indissociáveis.

“O processo de busca do patrocinador ainda não começou, mas não será o mesmo que o da camiseta” [Qatar Arways], anunciou Faus acompanhado do vice-presidente social, Jordi Cardoner, e do responsável pela área patrimonial, Jordi Moix. “O Barcelona é já uma marca global, com um cliente fiel, e está acima da conjuntura econômica”, insistiu. “O projeto apresentado não é econômico, não está destinado a fazer mais caixa, aos turistas ou a mais palcos VIP, mas sim para ter um melhor estádio. Não é um projeto de uma junta, mas de um clube; achamos que é um assunto sério depois dos mais de 30 anos da proposta de reforma. A maioria das novas cadeiras serão destinadas aos sócios que estão na lista de espera”.

Os executivos reiteraram que os sócios votarão a favor ou contra a reforma sem conhecer o desenho definitivo nem o patrocinador, para não incrementar os custos. “O mais lógico é trabalhar com normalidade após a aprovação do projeto vencedor”, manifestou Moix. “Há argumentos suficientes para poder votar. Haverá uma campanha de informação para que o sócio vote com conhecimento”. O concurso arquitetônico será convocado em 2016 e a partir de 2017 as obras começariam a ser executadas. Durariam quatro verões, um total de 3,5 anos, até fevereiro de 2021.

Se projetará um Palau de 12.000 lugares, um espaço comercial, escritórios, e 5.000 vagas de estacionamento

O custo da obra alcança uns 620 milhões (dois bilhões de reais): 420 correspondem ao estádio, que terá 105.000 lugares e 200 serão destinados ao Espai Barça (Espaço Barça), que contempla um novo Palau (um ginásio poliesportivo de 12.000 lugares), um pavilhão anexo (2.000), um Palácio de Gelo, um espaço comercial, os escritórios do clube, uma Masia (um tipo de construção rural típica da Catalunha) reabilitada e 5.000 vagas de estacionamento. “Falamos do projeto mais importante do mundo do ponto de vista futebolístico. Não tem comparação”, disseram Faus e Moix, que não prevêem desvios orçamentários.

A junta não  propõe o referendo como um plebiscito: se vota  não, seguirá até 2016

A junta presidida por Josep Maria Bartomeu, por outro lado, não vê o referendo como um plebiscito sobre sua gestão. Portanto, em caso de que a reforma não seja aprovada, a junta estaria disposta a cumprir seu mandato até 2016. “Nada acontecerá se não se aprova”, advertiu Faus após falar sobre a maturidade social da instituição azul-grená, “que é bem mais forte do que nós pensamos. Agora temos que conseguir que também o seja estruturalmente”.

Apesar da apresentação do projeto coincidir com uma recente diminuição da afluência de espectadores ao Camp Nou, Cardoner explicou: “Interessa que nosso sócio tenha direito a um assento; outra coisa é que exerça ou não este direito”. As obras, de qualquer forma, não afetariam nem o sócio nem a equipe.